Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Líderes veem dificuldade em barrar anistia na Câmara

Assinaturas “no varejo” aumentam pressão por apoio à proposta

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Depois que a oposição alcançou o número necessário para pautar a urgência do projeto de lei da anistia, líderes partidários da Câmara dos Deputados passaram a admitir dificuldade em frear o avanço da proposta.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve discutir o assunto na reunião de líderes marcada para o dia 24 de abril.

Para aliados de Hugo, a estratégia da oposição de buscar votos “no varejo” pode dar certo.

Sem apoio inicial dos líderes, o Partido Liberal (PL) procurou partidos em busca de votos individuais. A urgência foi protocolada com 262 votos, cinco a mais que o necessário (257).

Esse número ainda pode subir, a depender da decisão que sairá da próxima reunião. Caso Hugo decida pautar a urgência, com endosso das representações partidárias, parlamentares que ainda não assinaram o projeto podem se sentir mais à vontade para votar a favor da proposta.

A intenção do PL ainda é aprovar a urgência em plenário com número exigido para PEC, ou seja, com 308 votos.

Na terça-feira (15), Hugo Motta sinalizou que a decisão sobre a anistia será tomada em consenso entre os líderes da Câmara.

“Democracia é discutir com o Colégio de Líderes as pautas que devem avançar. Em uma democracia, ninguém tem o direito de decidir nada sozinho. É preciso também ter responsabilidade com o cargo que ocupamos, pensando no que cada pauta significa para as instituições e para toda a população brasileira”, disse no X (antigo Twitter).

A mensagem foi interpretada como uma forma de preparar o terreno caso a matéria seja levada a plenário e indica que a responsabilidade terá que ser dividida entre o chefe da Câmara e os líderes.

Com receio do ônus da pauta recair sobre a Câmara, deputados próximos a Hugo defendem que ele esteja alinhado com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Até agora, o senador não indica dar prioridade à matéria, mas aliados avaliam que a eventual aprovação na Câmara pressionará o Senado por um desfecho semelhante.