Lula cobra discurso e ação anti-anistia no Congresso
Presidente espera atuação de ministros contra projeto
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que ministros da base aliada reforcem o discurso e a atuação no Congresso contra o PL da Anistia, que perdoa participantes dos atos criminosos do 8 de Janeiro.
A orientação deverá ser repassada aos colegas pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que busca uma ação em conjunto na Esplanada dos Ministérios para frear a votação do projeto.
A ministra convocou uma reunião com ministros de centro, para segunda-feira (8), após o Palácio do Planalto acender o sinal amarelo sobre o apoio à proposta na Câmara.
Sob reserva, governistas admitem que a pauta tem avançado na base aliada e, por isso, esperam atuação dos respectivos ministros entre parlamentares de seus partidos.
O Planalto deve montar uma estratégia para fazer avançar outras pautas, a exemplo do projeto que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil por mês e a PEC da Segurança Pública.
Na semana passada, ao anunciar o desembarque do governo, a federação União Progressista anunciou apoio à anistia.
Antes, o Republicanos já havia admitido que votaria para aprovar a proposta. A articulação pelo PL ganhou força após a entrada em campo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Em contrapartida, ministros da base de Lula aumentaram as críticas ao projeto.
À CNN, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos) defendeu, porém, avaliação sobre a dosimetria das penas.
A proposta mais “light” da nistia tem sido costurada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
“Acho que [anistia] é um sinal muito ruim que o Congresso Nacional poderá dar a setores da sociedade brasileira. O que eu acho que devemos discutir, até porque na minha avaliação há excessos, é a tipificação da pena, e é nesse sentido que eu espero que o Congresso Nacional possa trabalhar.”, disse.
Já o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), circulou um vídeo em que declara ser contra a proposta e defende que “perdoar golpista e permitir o próximo golpe”.
“Eu sou do MDB, um partido que liderou a redemocratização. Cabe a nós, emedebistas, reafirmar esse compromisso histórico. A democracia brasileira não pode duas vezes ser golpeada pelo mesmo erro. Anistia, não!”, afirmou.
Ainda não há uma sinalização clara do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) sobre o avanço do projeto, mas o governo receia que, sob pressão, o deputado acaba cedendo pela votação da urgência do projeto nos próximos dias.



