Lula é aconselhado a poupar Trump e focar na promoção do acordo Mercosul-UE
Planalto espera que presidente deixe assuntos controversos para conversas de bastidor
Auxiliares aconselharam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a evitar mencionar, publicamente, inclusive em discurso, a crise na Venezuela e as recentes ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a países da América Latina ou à Groenlândia.
O presidente participa, nesta sexta-feira (16), de encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. A reunião acontece um dia antes da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, no Paraguai.
Na reunião com os líderes europeus, Lula deve concentrar as declarações no avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Na reunião com líderes europeus, com a assinatura de uma declaração conjunta, Lula busca passar imagem de que foi ele o principal negociador do acordo.
Na avaliação de diplomatas, a conclusão do acordo já representa uma resposta indireta a Trump, ao sinalizar o fortalecimento do multilateralismo.
Fontes do Itamaraty acreditam, porém, que dificilmente os temas deixarão de ser abordados em conversas de bastidor e citam, por exemplo, atuação do Brasil, de forma discreta, sobre pedidos de libertação de presos na Venezuela.
Após 26 anos de negociações, o acordo comercial vai criar uma zona de livre comércio de 720 milhões de habitantes e somará um PIB (Produto Interno Bruto) de US$ 22 trilhões. O Mercosul-UE será o maior tratado do mundo desta natureza.
Com a assinatura do acordo, ainda será necessário que o Parlamento Europeu e o Legislativo dos países do Mercosul, individualmente, aprovem o tratado.



