Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Lula está preocupado com desdobramentos do caso Master, dizem aliados

Presidente buscou ministros com críticas à condução do processo no Supremo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou a aliados estar preocupado com a repercussão sobre a fraude no Banco Master, com desdobramentos para além do sistema financeiro e potencial de desgaste para as instituições.

Auxiliares de Lula revelam que as críticas recaem, especialmente, sobre a condução da investigação pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), alvo de críticas por uma série de decisões polêmicas e interesses empresariais com os envolvidos.

O presidente esteve com o ministro do Supremo em uma conversa reservada, em dezembro do ano passado, na presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O encontro, fora da agenda oficial, teve como pano de fundo uma avaliação inicial sobre o compromisso de Toffoli, mesmo após a decretação de sigilo sobre o caso. A informação foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

No Planalto, acredita-se que o presidente deve conversar, novamente, com Dias Toffoli, mas sem opinar sobre manter ou não o caso no Supremo.

Integrantes do STF defendem que Toffoli remeta a investigação à primeira instância do Judiciário.

Auxiliares de Lula temem que o caso continue produzindo barulho e comprometa a credibilidade da Corte.

A preocupação com as instituições já havia sido compartilhada por Lula antes.

Entre os pontos mais sensíveis envolvendo a atuação de Dias Toffoli estão: o sigilo imposto à investigação, a revelação de um voo particular ao lado de um advogado de um dos alvos da crise e relações de fundos ligados ao Master com um resort registrado em nome do irmão do ministro.

No campo político, aliados do governo defendem que a apuração siga sem interferências. Em entrevista à CNN, neste ano, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, comentou sobre o caso pela primeira vez.

“De novo, acho que o papel do governo - e é o que o presidente tem conduzido - é de investigar esse processo e, envolva quem envolver, tem que responder se tiverem dando causa a uma situação dessa. (…) Não cabe a nós [governo] ou a ele [presidente] ter medo ou receio de discutir isso”, disse.