Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Lula quer governo fora da defensiva em caso Master

Avaliação nos bastidores é de que episódio não pode colocar em dúvida a atuação de instituições

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende usar a estratégia de manter o governo fora de uma posição defensiva diante da crise do Master.

Segundo apuração da CNN, a avaliação compartilhada pelo presidente com ministros, é de que o episódio não pode contaminar a imagem do governo, nem colocar em dúvida a atuação de instituições.

Por isso, o governo deve centrar esforços em defender, publicamente, a autonomia da Polícia Federal e do Banco Central, com a ideia de que a fraude do Master deve ser investigada tecnicamente, sem interferência política.

Nos bastidores, porém, auxiliares admitem que o presidente está preocupado com o desgaste político, especialmente, com a condução da investigação pelo ministro Dias Toffoli.

A postura, no entanto, deve ser a de manter a crise de credibilidade como algo restrito ao Supremo, sem risco ao Executivo, desde que não haja comprovação de envolvimento de entes do governo com o caso Master.

Esse discurso começa a ser adotado após a revelação de que Lula se reuniu, fora da agenda oficial, com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, em dezembro do ano passado. A reunião ocorreu a pedido do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Informações apuradas pela CNN indicam que o banqueiro apontou as dificuldades do banco, mas ouviu de Lula que o assunto seria tratado, exclusivamente, pelo Banco Central.

Ainda em dezembro, Lula também esteve com Dias Toffoli, na presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. A conversa ocorreu em meio aos avanços das discussões sobre o caso, após a imposição do sigilo na investigação por decisão do ministro.

O episódio ganhou novo capítulo com a revelação, pelo Portal Metrópoles, nesta segunda-feira (26), que o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, manteve um contrato de R$ 5 milhões com o Banco Master, mesmo quando era ministro. Lewandowski afirmou que a consultoria ocorreu no período em que atuava na advocacia privada e que se retirou do escritório após ingressar no governo.

A partir de agora, a orientação de Lula é evitar reações que admitam receio do governo com o avanço das investigações. O presidente quer manter a ideia de que defende as apurações e a atuação da PF e do BC no caso, ao mesmo tempo, em que busca distanciar-se da condução de Dias Toffoli sobre a crise, o que considera, por enquanto, um problema restrito ao STF.