Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Planalto avalia que prorrogação de CPMI amplia riscos políticos a Lula

André Mendonça determinou que os trabalhos da CPMI fossem estendidos mesmo sem negativa de Alcolumbre

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A decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) de determinar a prorrogação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) surpreendeu o Palácio do Planalto, que já calcula possíveis impactos eleitorais da medida.

Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o “tempo extra” da comissão amplia riscos políticos a Lula, especialmente, no que diz respeito às investigações que envolvem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Mendonça determinou que o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), faça a leitura do requerimento de prorrogação da CPMI em até 48 horas, sob o argumento de que não há margem para impedir o andamento do pedido quando cumpridos os requisitos legais.

Integrantes do governo avaliam que o movimento foi inesperado porque Alcolumbre ainda não havia formalizado uma negativa à prorrogação, ou seja, não havia uma decisão anterior que justificasse a intervenção do Supremo neste momento.

Na avaliação de governistas, Mendonça acabou “cercando” Alcolumbre ao estabelecer prazo e consequências diretas em caso de descumprimento, inclusive com a possibilidade de a própria CPMI estender seus trabalhos de forma automática.

Auxiliares de Lula também veem a medida como prejudicial para a relação institucional entre os poderes, ao antecipar um conflito que, até então, poderia ser resolvido internamente no Legislativo. A avaliação reservada é de que o episódio tensiona o ambiente entre Supremo e Congresso Nacional, com reflexos indiretos sobre o Executivo.

No campo político, o principal temor é o impacto eleitoral da prorrogação da CPMI. O colegiado investiga fraudes em benefícios do INSS e já avançou sobre temas sensíveis, incluindo episódios que colocaram Lulinha como alvo indireto.

Lulinha não é investigado pela PF (Polícia Federal), mas foi mencionado ao longo das apurações. O nome dele apareceu nas operações de busca e apreensão contra a empresária Roberta Luchsinger, realizada em meados de dezembro do ano passado. A PF apura se Lulinha manteve uma sociedade oculta por meio de Roberta com Antonio Camilo Antunes, conhecido como "careca do INSS".

A CPMI tinha previsão de encerrar os trabalhos no próximo dia 28. A expectativa agora é sobre a reação de Alcolumbre e os desdobramentos da medida no plenário do Supremo, que ainda analisará a decisão de Mendonça.