Planalto busca Hugo Motta para tentar frear pacote bilionário
Presidente da Câmara sinalizou que não deve dar andamento aos projetos

O Palácio do Planalto entrou em campo para tentar conter o avanço, na Câmara dos Deputados, de um conjunto de propostas que geram um impacto bilionário para as contas públicas.
A movimentação ocorre após a derrota sofrida pelo governo no Senado, que aprovou essa série de projetos criticados pela Fazenda.
Nos bastidores, integrantes da equipe econômica afirmam que faltou “responsabilidade” aos senadores ao avançarem com matérias que, segundo cálculos do governo, podem gerar impacto de até R$ 270 bilhões ao longo de uma década.
Antes das votações, Durigan chegou a se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pedir que propostas consideradas mais sensíveis fossem retiradas da pauta.
O argumento da Fazenda era que o cenário fiscal exige cautela diante das incertezas econômicas e que a aprovação das medidas poderia aumentar a percepção de risco sobre a economia.
Agora, a aposta do governo está na relação construída entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Hugo Motta. Auxiliares de Durigan avaliam que o diálogo com o comando da Câmara tem mais chances de avançar diante do momento de aproximação entre o Planalto e o deputado paraibano.
Segundo relatos feitos à CNN Brasil, Hugo já sinalizou a integrantes do governo que não pretende acelerar a tramitação dos projetos aprovados pelo Senado e que buscará uma análise mais cuidadosa das propostas antes de levá-las ao plenário.
Entre as iniciativas que mais preocupam a Fazenda está o projeto que amplia a renegociação de dívidas rurais, apontado internamente como uma das medidas de maior custo entre as aprovadas pelos senadores.
A equipe econômica também monitora propostas que ampliam benefícios para categorias específicas e projetos com potencial de elevar despesas obrigatórias da União.
Nos bastidores, auxiliares de Durigan avaliam que a votação no Senado teve forte influência do calendário eleitoral e reclamam que os alertas apresentados pelo governo acabaram sendo ignorados.



