Vorcaro foi orientado a oferecer delação "sem exceções"
Integrantes do STF, da PGR e da PF envolvidos nas tratativas querem todos os nomes na mesa; colaboração do ex-banqueiro tem potencial para atingir todos os poderes da República
Com as negociações para um acordo de delação premiada em curso, após a transferência do ex-banqueiro, Daniel Vorcaro, para a Superintendência da PF no DF, todos os órgãos envolvidos no processo, PF, PGR e STF, indicam que não haverá espaço para uma colaboração parcial, que “salve” uns em detrimento de outros.
Os integrantes da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal envolvidos nas tratativas demonstraram, nos bastidores, que estão alinhados no entendimento de que qualquer acordo só será aceito se for completo. A informação é significativa porque desfaz a intenção inicial de Vorcaro de delatar políticos e evitar ministros do STF. A CNN apurou que a mesma disposição existe no ex-banqueiro, com o recado sendo dado pela defesa.
Isso quer dizer que, uma vez firmado o acordo, Vorcaro terá que apresentar todas as informações de que dispõe, sem exceção, nem mesmo com limite sobre personagens que venham a ser delatados.
A avaliação dentro das instituições é objetiva, de que, “não existe delação pela metade”, portanto, a defesa recebeu o alerta de que, para que o acordo seja homologado, o colaborador precisa entregar um conjunto consistente de provas.
Procuradores recordam, em reservado, que não se deve correr o risco de algo parecido com o que aconteceu durante a Lava Jato.
À época, acordos de colaboração acabaram sendo questionados posteriormente por fragilidade probatória e inconsistências. Alguns delatores apresentaram acusações sem comprovação robusta, o que levou à anulação ou revisão de trechos de investigações e processos.
Outro episódio que tem sido mencionado nos bastidores é o acordo de colaboração do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), o Tenente-Coronel, Mauro Cid.
Desde que foi homologado, o conteúdo da delação vem sendo alvo de críticas entre membros do próprio Judiciário e MP. A percepção é a de que parte das informações apresentadas não trouxe elementos novos ou provas suficientes para sustentar as acusações.
Para valer, uma delação exige que o colaborador deve apresentar provas materiais para sustentar o que diz, como documentos, registros, mensagens e outros elementos de checagem.
Apesar de a defesa ter sondado o ministro André Mendonça sobre uma prisão domiciliar, o que acabou sendo rejeitado, qualquer benefício ao ex-banqueiro, como a redução de pena ou progressão de regime, só serão concedidos, caso a colaboração seja considerada efetiva.


