DC critica seu deputado e pede que STF mantenha ação contra filho de Lira
João Caldas, presidente da sigla, aponta contradições em manifestação de correligionário que se diz usado pelo dirigente e que afirma ter sido filiado à revelia

O presidente do DC (Democracia Cristã), João Caldas, pediu à ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), que mantenha a tramitação da ação que questiona as leis que tratam de idade mínima para a posse de candidatos em cargos no Congresso e que afeta a candidatura do filho de Arthur Lira (PP-AL), adversário político do dirigente alagoano.
O pedido foi feito à ministra dias depois de o deputado José Carlos Araújo acusar João Caldas de filiá-lo ao Democracia Cristã sem sua autorização em meio a uma disputa do dirigente alagoano com a família de Arthur Lira.
Caldas e seu partido questionam as leis de 1997 e de 2025 que tratam de idade mínima para a posse de candidatos em cargos no Congresso e pedem para que, nas eleições deste ano, a idade mínima exigida como condição de elegibilidade seja analisada na data da posse.
A iniciativa busca impedir um eventual mandato de Alvinho Lira, pré-candidato a deputado federal. O filho do ex-presidente da Câmara nasceu em março de 2006 e completará 21 anos somente depois de empossado, em fevereiro, caso vença a disputa.
A ação foi apresentada ao STF três horas após o partido filiar seu primeiro deputado ao partido. A filiação foi determinante para que o DC pudesse ingressar com a ação no tribunal para questionar a lei que permite a posse do filho do ex-presidente da Câmara em caso de vitória.
O deputado, que deixou o PDT e ingressou no DC, no entanto, diz não ter assinado a ficha de filiação ao partido e acusa Caldas de filiá-lo à revelia e busca a anulação da filiação. "João Caldas me filiou à revelia, me filiou sem minha autorização. Não me filiei ao DC, havia tratativas e sequer assinei a ficha de filiação do partido. Quis me usar para fazer o mal aos outros", disse à CNN.
"Isso é raiva que ele [João Caldas] tem do Lira, a briga dele subiu à cabeça. O cara não raciocinou. Como ele filia você sem você assinar a ficha? Ele, para me filiar, precisava me mandar a ficha de filiação e demonstrar a vontade de me filiar. Eram apenas conversas de como seria a minha entrada no partido", afirmou Araújo.
"A raiva sobe à cabeça e as pessoas perdem a noção do que é certo e do que é errado. A briga com pessoal lá é muito grande e ele [João Caldas] fica cego", disse.
Caldas anexou à ação a certidão de filiação partidária de José Carlos Araújo para comprovar a legitimidade do DC em apresentar no tribunal o questionamento às leis. Uma captura de tela do site da Câmara dos Deputados também foi incluída.
A defesa de Araújo pediu à ministra que desconsidere a certidão juntada ao processo, informando a filiação ao DC e que considere que a filiação jamais se concretizou. Os advogados também acionaram o TRE-BA (Tribunal Regional Eleitoral da Bahia) pedindo a anulação de sua filiação.
No novo ofício apresentado ao STF, João Caldas aponta contradições na conduta de José Carlos Araújo e defende que a ação continue a despeito do questionamento feito pelo deputado.
“Foi o próprio Deputado José Carlos Araujo, através do seu e-mail institucional da Câmara dos Deputados, quem, às 12h00min do dia 14/07/2026, comunicou à Mesa da Câmara dos Deputados sua mudança de partido do PDT para o DC, ato do qual resultou, na mesma data e hora, sua formal investidura como Representante do DC naquela Casa de Leis”, afirmou Caldas.
A ministra Cármen Lúcia, relatora da ação, está em férias neste recesso do STF. Uma eventual decisão será tomada pela ministra somente a partir de agosto ou a qualquer momento, caso o ministro Alexandre de Moraes, que comanda o plantão do tribunal neste mês, avalie haver urgência no pedido de Caldas.



