Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

PGR citou aptidão para lavagem de dinheiro ao defender prisão de Canella

Paulo Gonet também destacou em seu parecer capacidade de articulação institucional e papel de liderança do deputado estadual eleito

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, concordou com pedido feito pelos delegados da Polícia Federal e defendeu a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União-RJ).

Canella é apontado como "patrono político e articulador de alto escalão" de uma organização criminosa suspeita de utilizar rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro como plataforma de lavagem de dinheiro.

Os delegados responsáveis pela investigação dizem haver indícios suficientes de que Canella teria cometido os crimes de organização criminosa armada e lavagem de capitais.

O político foi preso na manhã desta quinta-feira (15) após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A ordem atende pedido da PF, que deflagrou a 8ª fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro.

Gonet destacou em seu parecer a capacidade de articulação institucional de Canella, seu papel de liderança na estrutura criminosa e sua aptidão em dar continuidade ao ciclo de captação e ocultação de valores ao defender a prisão do político.

O procurador-geral afirmou que a apreensão de armamento de calibre alto em sua residência reforçava essa avaliação. Canella foi preso em flagrante em julho, na 6ª fase da operação, por posse ilegal de arma de fogo após agentes encontrarem um fuzil no veículo do ex-prefeito de Belford Roxo. 

Quase um mês depois de ter sido alvo da operação, Canella anunciou que não iria mais concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro. O político foi o segundo aliado do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a desistir de uma vaga no Senado após ser alvo de operação da PF – o outro havia sido Claudio Castro (PL-RJ).

Outro lado

Em nota, a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e não compactua com qualquer desvio de conduta. Veja:

"A Polícia Civil não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades.

A instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível."

A defesa do delegado Marcus Amim também se manifestou. "O Advogado Thiago Minagé aguarda acesso ao Dr. Marcus Amim e à decisão para prestar prestar os devidos esclarecimentos".

Já a defesa dos presos Giovanni Gaspar Fernandes e Christiano Gaspar Fernandes afirmou que não teve acesso aos autos e que os dois ficaram surpresos com a prisão.

A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos outros citados. O espaço segue aberto.