Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

Julgamento sobre validade da lei da dosimetria acontecerá no 2º semestre

Demora da PGR em se posicionar, somada ao calendário definido de julgamentos e à proximidade do recesso, empurram análise para agosto

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O julgamento das ações que questionam no STF (Supremo Tribunal Federal) a lei da dosimetria, que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado no país, será realizado somente no segundo semestre.

A demora da PGR (Procuradoria-Geral da República) em se posicionar sobre as ações, somada ao calendário já definido de julgamentos de junho, que tem apenas mais duas sessões previstas, e à proximidade do recesso de julho, farão com que a análise aconteça somente a partir de agosto.

O projeto de lei da dosimetria foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, depois, pelo Senado Federal. Quando chegou ao Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o vetou. O Congresso Nacional derrubou o veto de Lula e promulgou a lei.

Partidos políticos acionaram o STF pedindo que os ministros do tribunal declarassem a lei inconstitucional. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, foi sorteado relator das ações.

A eficácia da lei foi suspensa por Moraes no início de maio. A decisão foi tomada, segundo o magistrado, em respeito ao princípio da segurança jurídica, até a definição da validade da lei pelo STF.

Após suspender a aplicação da lei, o ministro determinou que Câmara, Senado, governo e PGR se manifestassem sobre o trâmite de aprovação, veto e promulgação do texto.

A Câmara e o Senado informaram ao ministro, dez dias após a ordem de Moraes, que a lei foi aprovada dentro das regras constitucionais e que as Casas têm competência para alterar critérios de progressão de regime e cálculo de penas.

A AGU (Advocacia-Geral da União), no mesmo dia, afirmou a Moraes que o procedimento legislativo que derrubou o veto do presidente Lula à lei teve diversas falhas e que o próprio conteúdo da legislação não está de acordo com a Constituição e prejudica a proteção da democracia.

Quase um mês após o fim do prazo estabelecido por Moraes para que a PGR se manifestasse, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, citou a autonomia do legislativo ao se posicionar contra a suspensão da lei nesta semana.

Moraes sinalizou a interlocutores que, tão logo recebesse a manifestação da PGR, marcaria as ações para julgamento. O ministro Edson Fachin, presidente do STF, também sinalizou que marcaria a data do julgamento das ações com celeridade no plenário.

Há, no entanto, somente mais duas sessões de julgamento previstas no plenário no mês de junho e com pauta já definida. O recesso de meio do ano vai de 2 a 31 de julho.