Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

Mauricio Lyrio assume Secretaria de Clima e Meio Ambiente do Itamaraty

Embaixador André Corrêa do Lago ficará exclusivamente na presidência da COP30; até esta semana, Corrêa do Lago acumulava as duas funções

Mauricio Carvalho Lyrio  • Fernando Frazão/Agência Brasil
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O embaixador Mauricio Lyrio foi designado nesta sexta-feira (16) secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores.

Lyrio era secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty e é o principal negociador brasileiro em questões comerciais, sherpa do G20 e do Brics.

Com Lyrio na nova função, o embaixador André Corrêa do Lago ficará exclusivamente na presidência da 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30). Até esta semana, Corrêa do Lago acumulava os dois cargos.

A portaria designando Lyrio para a secretaria foi assinada pelo ministro Rui Costa, da Casa Civil, e publicada no Diário Oficial da União.

A CNN mostrou no início de abril que Lyrio exerceu importante papel para que o Brasil conseguisse abrandar o tarifaço norte-americano. Sem alarde e nenhuma divulgação na imprensa, o embaixador esteve semanas antes do anúncio de Donald Trump em Washington. 

Lyrio teve uma maratona de encontros em que pôde reforçar, com detalhes, os argumentos brasileiros. Passou pela US Chamber of Commerce, maior entidade empresarial dos Estados Unidos, e pelo Departamento de Comércio. E fez duas reuniões especialmente importantes.

Uma, na Casa Branca, foi com Nels Nordquist, o sherpa americano para o G20, assessor de Trump para política econômica e diretor-adjunto do Conselho Econômico Nacional.

Outra foi com o presidente do Comitê de Ways and Means da Câmara dos Representantes, Jason Smith, um republicano do Missouri. Mal comparando, seria o equivalente ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Brasil, um colegiado por onde tramita qualquer projeto relevante. Pelo cargo e pelo partido, Smith tem trânsito livre no governo americano.

As reuniões serviram para enfatizar a mensagem de que o Brasil tem sido parte da solução, não do problema comercial dos Estados Unidos, com os seguidos superávits mantidos pelo país. Pode haver uma ou outra queixa pontual, mas a relação é favorável aos americanos. Ou seja, o Brasil faz parte do “Clean Three” e não do “Dirty 15”, insistiu Lyrio.

Deu certo — sem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump jamais tenham se falado. A tarifa de 10% foi a mesma aplicada sobre a Argentina de Javier Milei (amigo de Trump) e sobre Israel (parceiro preferencial).