Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

“WhatsApp estatal”: Abin começa a usar novo app com criptografia de Estado

Retomada de ferramenta brasileira de comunicação interna no governo é vista como forma de reforçar soberania digital

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A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) concluiu o desenvolvimento de um novo aplicativo de comunicação segura com criptografia de Estado e já está utilizando a ferramenta, chamada de msg gov.

A agência apresentou o aplicativo nesta quarta-feira (3) durante um evento que faz parte da semana de celebração dos 26 anos da Abin e do Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).

O aplicativo de mensagens instantâneas já está sendo usado na Abin e, em breve, será disponibilizado a integrantes do Sisbin, que reúne órgãos para a troca de informações e conhecimentos de inteligência.

Em um segundo momento, ainda sem previsão de início, a intenção do governo é implementar o aplicativo como ferramenta oficial de comunicação na administração pública federal.

O diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, havia contado sobre a intenção do governo de utilizar um novo aplicativo a deputados e senadores durante sessão da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso no início de julho.

O msg gov tem as mesmas funcionalidades do WhatsApp, como envio e recebimento de mensagens de texto e multimídia, ligação de vídeo, ligação de voz, lista de transmissão, conversas em grupos e dupla camada de segurança.

O diferencial em relação ao aplicativo norte-americano é a comunicação segura por meio de criptografia de Estado desenvolvida pela Abin.

A agência liderou o projeto e contribuiu com desenvolvimento da criptografia de ponta a ponta. A Universidade Federal do Ceará implementou o desenvolvimento do aplicativo. Já o Serviço Federal de Processamento de Dados disponibilizou a nuvem de governo.

Por muito anos, o governo usou o Athena, aplicativo de mensagens instantâneas com criptografia de Estado e que não utilizava serviços computacionais estrangeiros. A ferramenta, no entanto, foi descontinuada na gestão Bolsonaro.

O governo avalia que sempre existiu a necessidade de um aplicativo para ser utilizado por servidores da administração pública federal, ministros, presidente e vice-presidente. Hoje, o WhatsApp é a ferramenta mais comum no governo.

A retomada de um aplicativo brasileiro de comunicação interna no governo é vista como uma forma de reforçar a soberania digital e a proteção de dados.