Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

A prova dos 9 da agenda de Haddad

Até aqui, ministro da Fazenda colecionou vitórias para sustentar aumento de gastos públicos; em 2024, chefe da economia terá que batalhar para não colecionar derrotas

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Com a volta dos trabalhos do Congresso Nacional nesta semana, a agenda econômica de Fernando Haddad vai passar pela “prova dos 9”.

Até aqui, o ministro da Fazenda colecionou vitórias para sustentar o aumento de gastos públicos, marca da volta de Lula ao governo. Em 2024, o chefe da economia terá que batalhar para não colecionar derrotas.

No primeiro ano do governo e da legislatura, o espírito reformista parecia ser a garantia da aprovação de medidas que equilibram as contas públicas e promovem o crescimento econômico.

As disputas mais recentes sobre o orçamento federal revelaram que não é bem assim. Há conflito de interesses entre os paroquiais, os eleitoreiros, os ideológicos e os mais racionais, estes em minoria.

O primeiro round de enfrentamento no Congresso em 2024 será em função da desoneração, ou da reoneração da folha de pagamentos do setor privado e de municípios menores.

A despeito do que faz sentido para a qualidade da política pública, Haddad e os líderes políticos têm propósitos distintos.

Do lado do ministro, o objetivo mais óbvio é a necessidade de arrecadação federal. O mais urgente, porém, é evitar um bloqueio de despesas em março, quando governo precisa apresentar saldo das contas públicas.

O fantasma do contingenciamento das despesas é também pressão para a manutenção da meta de zerar o déficit fiscal este ano.

Se conseguir manter até março a validade da MP da reoneração editada no apagar das luzes de 2023, Haddad respira aliviado por mais alguns meses.

Como a medida provisória tem força de lei e está valendo, a desoneração e os benefícios para o setor de eventos estão suspensos e os limites para a compensação tributária das empresas já começaram.

Do lado do Legislativo, a reação à MP de Haddad não é pelo mérito das mudanças impostas na desoneração dos salários. É mais pela "ousadia" do ministro da Fazenda em desafazer o que o Congresso acabou de aprovar.

Para complicar o clima entre o Executivo e o Legislativo, teve o veto do presidente Lula ao pagamento de parte das emendas parlamentares.

Fica claro o equilíbrio frágil das medidas tomadas pelo governo para gerir as contas públicas.

Também é bastante evidente a vulnerabilidade da relação do executivo com o Congresso Nacional, que não parece disposto a aceitar os avanços sobre prerrogativas conquistadas pelo Legislativo.

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