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    Thais Herédia

    Thais Herédia

    Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas & Cia.

    Análise: juro em um dígito em 2024 está mais distante

    Ata do Copom explica divergência nos votos, mas não elimina dúvida sobre futuro BC

    Análise: juro em um dígito em 2024 está mais distante
    Análise: juro em um dígito em 2024 está mais distante

    A ata da última reunião do Copom trouxe um cenário mais desafiador para convergência da inflação brasileira à meta de 3%, o que praticamente zerou a chance da Selic ficar em um dígito este ano.

    O recado dos diretores do BC foi duro ao pintar um ambiente mais negativo para o comportamento dos preços, com piora das expectativas para o IPCA nos próximos dois anos, o que impõe uma barreira à atuação do Comitê.

    As previsões para a Selic em dezembro estão sendo revistas para acima de 10%. Economistas de bancos, fundos e consultorias admitem que está muito difícil seguir com reduções da taxa até que ele chegue abaixo desse patamar.

    Ao contrário, a leitura que passou a prevalecer é de parada na queda dos juros a partir de agora.

    O documento divulgado nesta terça-feira (14) tinha o desafio de esclarecer a divergência entre os votos que decidiu pela queda de 0,25 ponto percentual (p.p.) da taxa básica, que caiu para 10,50%.

    Venceu a opção mais conservadora, deixando do outro lado os quatro diretores apontados pelo governo Lula. A cisão do Copom foi recebida como uma forte sinalização de que o BC com novo presidente, que assume em 1º de janeiro, será mais leniente com a inflação.

    Fontes do governo ouvidas pelo blog demonstram preocupação com a cisão entre novos e antigos do colegiado. Também há relatos de estranhamento entre os diretores depois que Roberto Campos Neto mudou a sinalização sobre os próximos movimentos com os juros durante evento do FMI nos Estados Unidos.

    Para surpresa do mercado, o presidente do BC avisou que estava mais difícil manter o compromisso com a queda de 0,50 p.p. porque o cenário havia piorado. Segundo apurou a CNN, essa mudança de postura não foi combinada nem avisada aos colegas do BC, ou seja, pegou não só o mercado, mas o próprio Copom de surpresa.

    Segundo a ata, a discordância dos votos na reunião do colegiado não se deu pela leitura de cenário, ou dos fatores que podem promover alta ou queda da inflação, e sim por uma questão “reputacional” de se mudar o compromisso que havia sido assumido no encontro de março.

    Na reunião daquele mês, o Copom promoveu a mudança no chamado foward guidance, nome técnico para a sinalização dos próximos movimentos, alertando que a Selic seria reduzida mais uma única vez em 0,50 ponto percentual no encontro de maio.

    Mesmo que a explicação relatada na ata traga algum fundamento técnico, já que diretores concordam unanimemente com a deterioração do ambiente doméstico e internacional, a credibilidade do BC foi arranhada.

    A comunicação é ferramenta poderosa da autoridade monetária e não pode criar ruido sozinha, sob pena de atrapalhar ancoragem das expectativas e a queda dos juros. Exatamente o que aconteceu agora.

    A explicação da ata da Copom ajudou a desfazer parte desse ruído, mas não o suficiente para esmorecer a dúvida sobre uma postura enviesada por juros menores entre aqueles indicados por Lula.

    Ela deve permanecer no ar até, no mínimo, o próximo Copom em junho. E dificilmente se dissipa totalmente até que o BC de 2025 comece a atuar.