Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

Comunicação oficial da Petrobras sobre notícias na imprensa dispara

Crise política leva estatal a dar mais esclarecimentos ao mercado

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Um levantamento feito pelo blog no site da Petrobras revela que a emissão de comunicados para esclarecer notícias veiculadas na imprensa disparou desde o início do governo Lula.

A comunicação com mercado é uma exigência para empresas com capital aberto. A publicação é recorrente e trata de diversos assuntos relativos à gestão do negócio.

O que chama atenção na Petrobras é a quantidade de comunicados relacionados a notícias que saem na imprensa brasileira. Fica evidente a correlação com os períodos em que a ingerência política era explicita.

O levantamento foi feito a partir de 2015, auge da crise da operação Lava Jato e dos prejuízos provocados pela gestão temerária do governo de Dilma Rousseff.

Naquele ano, 92 comunicados para explicar ou desmentir informações divulgadas na mídia foram emitidos pela estatal. Em 2016, quando a Petrobras foi assumida por Pedro Parente, já sob governo de Michel Temer, as publicações caíram para 52.

A partir de 2017, quando a nova gestão já apresentava resultados como controle da dívida e a limpeza do balanço dos maus feitos do governo petista, as emissões de comunicados ligados ao noticiário desceram para uma média de 20 por ano.

Foi assim até fevereiro de 2021, quando Jair Bolsonaro resolveu intervir na Petrobras e demitiu Roberto Castello Branco pela redes sociais. O executivo estava há dois anos na presidência e incitou a ira de Bolsonaro por promover reajustes consecutivos nos preços dos combustíveis.

O general Joaquim Silva e Luna assumiu a cadeira e não demorou para enfrentar as barreiras criadas em 2016 para proteger a companhia da interferência política.

Naquele ano, em 2021, os comunicados explicativos de notícias na imprensa subiram para 28. Em 2022, com a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro, o preço do barril do petróleo disparou e a Petrobras teve dois presidentes no mesmo ano porque Jair Bolsonaro não se conformava com o aumento dos preços. O volume de explicações da Petrobras sobre notícias veiculadas subiu para 39.

Em 2023, com governo Lula e a indicação de Jean Paul Prates para comandar a estatal, o jogo da política deixou de ser uma exceção para ser a regra. O governo Lula conseguiu se livrar dos limites da Lei das Estatais e a loteou o quadro gestor da companhia com indicações políticas.

Prates alterou a política de preços, desatrelando os reajustes dos preços internacionais, e retomou o investimento e o envolvimento em setores que a petrolífera tinha saído desde o governo Temer, como refinarias, fertilizantes, construção de plataformas e até indústria naval, comprovadamente equivocados.

O número de comunicados com explicações e desmentidos sobre informações publicadas pela imprensa disparou novamente, chegando a 73 publicações no ano passado.

Agora em 2024, a fritura pública do presidente Jean Paul Prates pelo ministro Alexandre Silveira e seus desdobramentos, como a especulação sobre a mudança no comando e o pagamento de dividendos extraordinários, já produziram 16 comunicados ao mercado, 12 deles só entre março e abril.

Como a escalada da crise, tudo indica que o futuro da maior empresa do Brasil vai continuar sendo tratado pelos bastidores de Brasília, e não pelo núcleo executivo da companhia, que visa melhores resultados e eficiência na exploração da petróleo na costa brasileira. Com retornos para toda sociedade.

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