Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

Previsões para IPCA bateram no teto?

Crédito consignado privado e câmbio são fatores de incerteza

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Pela segunda vez em poucas semanas, as previsões para o IPCA do boletim Focus ficaram estáveis. Apesar de nível ainda elevado, e bem distante da meta de 3% até 2028, os ajustes nas expectativas para inflação já estavam acontecendo de forma marginal, com poucas correções ao longo de março.

A pergunta que fica é se as estimativas chegaram ao teto, ou seja, se não haverá mais piora das previsões daqui para frente, considerando que elas são balizadoras das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre os juros.

Pelo Focus divulgado nesta segunda-feira (31), o IPCA para 2025, 2026, 2027 e 2028 ficará em 5,65%, 4,5%, 4,0% e 3,78%, respectivamente.

Economistas ouvidos pelo blog alertam sobre os riscos ainda presentes para o processo inflacionário deste e dos próximos anos. Entre eles estão o câmbio e a atividade econômica, mas também os efeitos do crédito consignado privado recém-lançado pelo governo.

Para a economista Andréa Ângelo, da Warren Investimentos, é preciso esperar o efeito líquido do crédito consignado privado entre quem vai pegar novo financiamento para quitar dívida mais cara e quem vai fazer novos empréstimos.

“O desenho do programa é péssimo. Não é renegociação de dívida, é injetar mais crédito. Liquidamente seria impulso, mas ainda não sabemos o quanto”, disse à CNN.

O ritmo do crescimento econômico ainda é uma incógnita. Os últimos dados do mercado de trabalho indicam economia ainda aquecida e a desaceleração pode ser mais lenta, principalmente neste primeiro trimestre do ano.

Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, ainda é cedo para afirmar que as previsões para IPCA chegaram ao teto.

“Não acho que estancou. Dizer que as previsões bateram no teto, entendo como precoce porque ainda tem muita informação de atividade econômica que pode bater na formação de preços”, disse ao Blog.

Romão alerta para o comportamento dos preços dos serviços, que devem ficar bem acima do que foi no ano passado, com alta de 6,2%, ante aumento de 4,8% em 2024.

Câmbio e safra

A queda do dólar neste ano, cerca de 7% até semana passada, ajudou a aliviar a pressão inflacionária, mas não deixou de ser um risco. Com tantas incertezas pela frente, como a política tarifária de Donald Trump e os impactos na economia americana, não é possível descartar novas ondas de desvalorização do real ao longo do ano.

No Focus desta segunda-feira, a previsão para o dólar em 2025 caiu pela terceira semana seguinte, para R$ 5,92. Acima, portanto, do atual patamar, na casa dos R$ 5,77.

André Braz, economista da FGV, lembra que o dólar mais caro tem efeitos sobre as importações, mas também sobre os preços das exportações brasileiras. Ele não descarta, porém, que as previsões para o IPCA podem ter chegado ao limite de alta.

“Pode ser um teto mesmo, acho que dificilmente passa desse patamar nas condições atuais. A questão é o nível de incerteza, tanto no Brasil quanto no exterior, o quanto isso pode impactar o câmbio. Além do dólar, há risco climático para a safra”, afirmou.

Para economista, Marcela Kawauti, da Lifetime Investimentos, a acomodação recente das estimativas para o IPCA é boa notícia e enfraquece risco altista para inflação com deterioração das expectativas. Ainda assim, não dá para esperar que isso facilite a vida do Banco Central nas decisões sobre a taxa de juros.

“Como a acomodação acontece em patamar alto, não deve haver moleza para o Copom. Parou de atrapalhar, mas ainda não ajudou”, disse Kawauti.

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