Análise: Na Assembleia Geral da ONU, Lula reforça discurso eleitoral
Ao dizer que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, mandou recado a Donald Trump, que discursou logo depois, e aplicou uma vacina contra interferência externa na eleição
A menos de duas semanas da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a Assembleia Geral da ONU falando ao mundo e, mais ainda, ao eleitor brasileiro.
Foi um discurso construído em dilemas. Multilateralismo ou unilateralismo, numa plenária enfraquecida. Democracia ou extremismo. Soberania ou subordinação. No final, os dilemas viraram discurso eleitoral.
Sem citar Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula colocou a eleição como uma escolha entre democracia e negacionismo.
Ao dizer que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, mandou recado ao presidente americano, Donald Trump, que discursou logo depois, e aplicou uma vacina contra interferência externa na eleição.
Pix, bets, escala 6x1 e segurança pública completaram a lista. Assunto de campanha, não de diplomacia.
Lula reconheceu que o desejo de mudança é legítimo, mas não pode significar retrocesso. Desenhou um mundo de duas opções e se colocou do lado da mudança. O eleitor terá que decidir se ele é isso, ou está do outro lado: o do passado.



