
Análise: Trump alivia tarifas, mas mantém o Brasil de castigo
Com a disparada nos preços do café e das carnes, especialmente, Trump admite, pela primeira vez, que sua nova fórmula de política externa é, de fato, inflacionária
A Casa Branca anunciou a isenção de carnes, café, frutas e castanhas da tarifa de 10% que havia sido imposta ao mundo inteiro no Dia da Libertação, em abril deste ano. A decisão de Donald Trump não tem relação com o tarifaço aplicado ao Brasil, nem com a suposta “química” entre ele e o presidente Lula (PT). Também não foi resultado do recente encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em Washington.
A medida tomada por Trump decorre de uma preocupação básica — e frequentemente cruel — para a popularidade de qualquer governante: a inflação. Com a disparada nos preços do café e das carnes, especialmente, Trump admite, pela primeira vez, que sua nova fórmula de política externa é, de fato, inflacionária e impõe aos próprios americanos — e não aos países tarifados — o custo do imposto de importação que ele havia apresentado como solução para os problemas da América.
E o Brasil nisso tudo? O país continua sujeito aos 40% anunciados em julho, na carta em que Trump acusa o governo brasileiro de promover uma “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pode-se considerar que a isenção dos 10% já representa algum avanço. Também é verdade que o diálogo e as possibilidades de negociação entre os dois países vêm progredindo.
Ainda assim, não se pode ignorar que o Brasil não figura entre as prioridades de Donald Trump. Somente quando o governo Lula conseguir convencer o presidente americano a cessar as punições aos produtos brasileiros será possível, de fato, cogitar algum alívio.



