Análise: Condenação de Buzzi é marco contra a impunidade
Por muito tempo, denúncias de assédio sexual em ambientes hierarquizados esbarraram no silêncio, no medo e, na maioria das vezes, na certeza da impunidade, aprofundando o trauma das vítimas
Marco Buzzi é o primeiro ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) condenado à perda do cargo por um caso de assédio sexual. A decisão cria uma nova referência para o comportamento de quem exerce poder, inclusive dentro do próprio Judiciário.
Por muito tempo, denúncias de assédio sexual em ambientes hierarquizados esbarraram no silêncio, no medo e, na maioria das vezes, na certeza da impunidade, aprofundando o trauma das vítimas.
Ninguém deve imaginar que uma condenação, que neste caso ainda é apenas administrativa, vai impedir novos episódios. Infelizmente, não vai.
Mas ela pode aumentar o custo de um comportamento abusivo.
E isso importa especialmente para as mulheres que, diante de um homem poderoso, precisam decidir entre o silêncio e a denúncia.
A decisão desta quinta-feira (6) não apaga o passado. Porém, pode ajudar a mudar uma cultura em que a posição, o prestígio ou a toga funcionaram, por tempo demais, como escudo contra as consequências de um comportamento abusivo.



