Thais Herédia
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Thais Herédia

Passou pelos principais canais de jornalismo do país. Foi assessora de imprensa do Banco Central e do Grupo Carrefour. Eleita em 2023 a Jornalista Mais Admirada na categoria Economia do Jornalistas e Cia.

Análise: COP30 e Cúpula do G20 expõem um planeta desgovernado

O maior obstáculo para se chegar a um acordo na COP30, é a forma como os países deverão se preparar para abandonar a dependência dos combustíveis fósseis

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A COP30 caminha para o encerramento sob o risco de não ser, como disse o presidente Lula (PT), “a melhor do mundo”, mas sim aquela que não conseguiu chegar a um acordo mínimo sobre o enfrentamento da mudança climática.

O maior obstáculo é a forma como os países deverão se preparar para abandonar a dependência dos combustíveis fósseis. Eles são os grandes vilões da crise climática, mas ainda representam 82% das fontes de energia do mundo. E as nações economicamente dependentes desses combustíveis não aceitam qualquer proposta que estabeleça metas ambiciosas para a transição energética, como queria o governo Lula com o chamado “mapa do caminho”.

O incêndio no pavilhão das negociações, em Belém (PA), pode ter atrasado a conclusão do encontro, mas não explica sozinho a falta de consenso. Ela — a falta de acordo — resulta também da crise de governança global e do enfraquecimento do multilateralismo. Donald Trump, que nega o aquecimento global, rejeita iniciativas para seu enfrentamento e desarticula a união de países na busca por soluções — seja para o clima, seja para qualquer outro desafio mundial.

É nesse contexto que começa, neste sábado (22), mais uma cúpula do G20, desta vez na África do Sul. A polarização também se instalou no grupo, que reúne países ricos e emergentes. O encontro foi boicotado por Trump, que proibiu qualquer participação de uma delegação americana. Além dele, não irão Xi Jinping, líder da China, e Vladimir Putin, da Rússia — este último correndo o risco de ser preso caso desembarcasse em Joanesburgo. Trump não comparecerá porque não acredita em nada do que o G20 se propõe a fazer, isto é, discutir e coordenar ações para problemas que nenhum país pode resolver sozinho — em certa medida, o mesmo que tenta fazer a COP.

Essa é a essência do lema MAGA — Make America Great Again. Trump defende que os Estados Unidos cuidem apenas de seu próprio quintal. O resto do mundo que se vire. E é com esse lema que, ironicamente ou tragicamente, ele será o próximo presidente do G20 a partir do ano que vem.