Análise: Novos penduricalhos evidenciam fim do pudor na política
Enquanto a elite é blindada com apoio no Congresso, o trabalhador brasileiro vive entre a informalidade e o salário mínimo
A aprovação em toque de caixa do Projeto que cria novos "penduricalhos" para servidores do Congresso Nacional abre um novo foco de tensão em Brasília. O texto foi aprovado na pressa, sem debate público, sem explicação e sem autoria.
Não foi a oposição. Não foi o governo. Todo mundo sabe que houve acordo, mas ninguém assume, e na prática, o projeto alimenta a chaga dos super salários que corrói o Estado.
De um lado, o trabalhador brasileiro vive entre a informalidade e o salário mínimo. Do outro, uma elite do funcionalismo público, blindada, com apoio no Congresso e criativa para contornar limites.
O que chama atenção é o fim do pudor da política. Não há mais constrangimento. A defesa do interesse corporativo é feita à luz do dia dando as costas para a população e para a realidade do país, e o recado final é talvez o mais grave.
Há pouco espaço, e menos ainda disposição, para enfrentar as distorções do funcionamento do Estado. Reformar dá trabalho. Criar penduricalho é rápido e passa.



