Análise: Toffoli recua, mas temor sobre autonomia do BC persiste
O BC apresentou uma linha do tempo para sustentar que a decisão pela liquidação do Master foi o desfecho de um processo técnico, gradual e devidamente documentado
O caso do Banco Master ganhou um novo capítulo na noite desta segunda-feira (29). Os suspeitos de fraude e o diretor do BC (Banco Central) que participariam da acareação convocada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli para esta terça-feira (30) irão, antes, prestar depoimento à Polícia Federal. Em princípio, caberá à própria PF decidir, após ouvir as partes, se a acareação será mantida. O movimento soa como um recuo de Toffoli, que até aqui vinha conduzindo o processo de forma centralizada. Ainda assim, a mudança não elimina as incertezas quanto à condução do caso nem o temor de um revés no processo de liquidação do banco.
Também nesta segunda-feira (29), o Banco Central encaminhou ao TCU (Tribunal de Contas da União) as respostas aos questionamentos sobre a liquidação do Master, classificada como uma medida extrema pelo ministro do TCU Jhonatan de Jesus. O BC apresentou uma linha do tempo para sustentar que a decisão pela liquidação foi o desfecho de um processo técnico, gradual e devidamente documentado.
Com o caso tramitando sob sigilo no Supremo e no TCU, persiste no mercado a apreensão quanto aos efeitos desse episódio sobre a autonomia do regulador do sistema financeiro. A pergunta, portanto, permanece: a quem interessa fragilizar o Banco Central?




