Empresários articulam debate sobre reforma do Judiciário que inclui STF
Objetivo é evitar que debate seja capturado pela disputa político partidária

Empresários, acadêmicos e conselheiros de algumas das maiores empresas do país estão sendo convidados para uma reunião virtual, na próxima quarta-feira (9), para discutir caminhos para uma reforma do Poder Judiciário que inclua o STF (Supremo Tribunal Federal).
O convite é assinado por Pedro Passos (Natura), Josué Gomes da Silva (Coteminas) e Jackson Schneider (Ex-Embraer/Cebri) e prevê uma conversa reservada entre lideranças da sociedade civil e um grupo de juristas e especialistas que apresentará propostas para mudanças no Judiciário.
Nos bastidores, segundo apuração da CNN, há forte preocupação com a crise atual e, principalmente, com o risco de que uma discussão sobre mudanças institucionais necessárias, seja contaminada pela disputa político partidária. A ideia é evitar que o movimento seja identificado com um campo político ou transformado numa reação circunstancial aos acontecimentos recentes no Supremo.
Muitos dos convidados participam de vários grupos diferentes entre empresários, executivos e economistas e relatam a angústia coletiva com a gravidade da crise desencadeada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Há muita reserva em falar publicamente, mas muitos se posicionando com o mote de “Vamos para Rua”, sinalizando que os limites da tolerância foram ultrapassados.
A articulação para debater uma reforma do judiciário não pretende oferecer uma solução para o curtíssimo prazo. O objetivo é avançar numa proposta mais ampla e bem estruturada, construída a muitas mãos por juristas respeitados e que enfrente questões sobre o funcionamento e o equilíbrio do Poder Judiciário, incluindo o STF.
Participarão da reunião Miguel Reale Júnior, José Eduardo Cardozo, Maria Tereza Sadek, Patrícia Vanzolini e Oscar Vilhena Vieira. A videoconferência está marcada para as 17h30 do dia 09 de setembro.
A avaliação entre pessoas envolvidas na organização é que a crise tornou mais urgente um debate que precisa ir além dela. A tentativa agora é transformar a preocupação com a crise atual numa agenda institucional de longo prazo, sem que a reforma seja apropriada pela disputa eleitoral ou pela polarização política.



