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    Victor Irajá

    Victor Irajá

    Com passagens por Estadão e rádio CBN, foi editor do Radar Econômico, da revista Veja. É especializado em Economia pela FGV e pelo Insper

    “Não gostamos de negacionistas” da ciência econômica, diz Paulo Guedes em evento nos EUA

    Para ex-ministro de Bolsonaro, existe “o certo e o errado em economia” e que desprezar ciência econômica pode levar países à miséria

    “Não gostamos de negacionistas” da ciência econômica, diz Paulo Guedes em evento nos EUA
    “Não gostamos de negacionistas” da ciência econômica, diz Paulo Guedes em evento nos EUA

    Em sua primeira entrevista coletiva desde que deixou o governo, o ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, afirmou na terça-feira (14) que faria mais privatizações se a antiga equipe econômica voltasse ao governo.

    O ex-ministro fez uma defesa da ciência econômica. Segundo ele, existe “o certo e o errado em economia”, e ele e sua equipe “não gostam de negacionistas”.

    “Temos que acreditar na ciência. Nós acreditamos na ciência, nós não gostamos dos negacionistas”, afirmou o ex-ministro.

    Guedes discorria sobre o regime de capitalização da Previdência, defendido por ele durante o governo Bolsonaro, reiterando que a medida poderia ser uma alternativa ao déficit previdenciário.

    “O Chile, quando fez o regime de capitalização, passou a crescer 5,5% por 30 anos seguidos”, afirmou.

    “Existe o caminho da prosperidade, a ciência. Chamam-se ciências econômicas — e elas existem. E não são frouxas feito pensam, não. Pensam que economia é que nem futebol: pode-se falar qualquer coisa. Não. Você perde, você leva um país para a miséria”, disse Guedes, sem especificar ou nomear os críticos da ciência econômica.

    Protocolo de crise

    Guedes disse ainda que o governo Bolsonaro deixou um “protocolo de crise” para incidentes como os causados pelas chuvas no Rio Grande do Sul, baseando-se na atuação da antiga gestão durante a pandemia de Covid-19.

    “Nós acreditamos e utilizamos os princípios que nós achávamos que o governo deveria atuar. Quando passamos recursos para estados e municípios, passamos recursos livres. Travamos uma série de despesas”, afirmou o ex-ministro.

    “Se pessoas forem atingidas, as transferências de renda são diretas às pessoas — pelo Pix, por exemplo. Se empresas são atingidas, os recursos também são enviados diretamente para essas empresas, como nós fizemos com o Benefício Emergencial.”

    Para Guedes, a melhor abordagem é atender e transferir os recursos diretamente para a pessoa ou instituição atingida. Segundo o ex-ministro, isso foi feito de modo a pensar “no melhor funcionamento da democracia”.

    “Na verdade, é um governador que sabe como que o estado pode ajudar os municípios; e os prefeitos que, se receberem recursos livres, podem alocar melhor esses recursos baseando-se nos problemas que eles vivem. É ação local. De Brasília, você não sabe o que as cidades de Canoas ou Pelotas estão precisando”, defendeu.

    As declarações foram feitas em coletiva de imprensa após o lançamento de um documentário chamado “O Caminho da Prosperidade”, que retrata sua gestão à frente da pasta. O evento reuniu cerca de 200 pessoas em um cinema de Nova York, nos Estados Unidos.

    O filme, gravado entre 2019 e 2022, é dirigido pelo cineasta Paulo Moura e apresenta uma série de depoimentos de membros da equipe encabeçada por Paulo Guedes, tratando sobre o período em que o economista esteve à frente da gestão das finanças do país.

    O documentário foi financiado pelo empresário Winston Ling.

    “Lutamos juntos contra adversários imponderáveis, como a covid. Da mesma forma que muita gente nos ajudou, teve gente subindo em cadáveres para fazer política. Lembro de uma pessoa específica que trabalhava pelo impeachment [de Bolsonaro] que me disse: ‘Você tem que deixar o governo, pensar na sua biografia’. Respondi: ‘Leva um ano para fazer um impeachment e mais um ano para fazer uma eleição. Você prefere que durante dois anos o país viva um caos porque você quer atingir seu objetivo político?’. Isso para mim é ignóbil, é algo torpe e impensável. Cada um fez o melhor que pode, entre os que estavam bem-intencionados”, afirmou Guedes.

    O ex-ministro relembrou alguns desafios à frente da pasta, apresentados durante o documentário.

    “Você me pergunta: valeu a pena ficar lá em Brasília apanhando o tempo inteiro, de covid, da mídia, da oposição, dos ministros ‘fura-teto’? Valeu a pena. São 200 milhões de brasileiros que você pôde ajudar, porque eu tinha um time maravilhoso, formidável”, disse Guedes.

    O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), esteve presente no evento e ouviu uma brincadeira de Guedes.

    Ao ser indagado se Tarcísio seria presidente, Guedes, abraçando ao governador, respondeu em tom de brincadeira: “Esse cara é maravilhoso, melhor governador disparado no Brasil. É questão de tempo, vai ser presidente do Brasil, todo mundo já sabe disso”.

    No dia anterior, na segunda-feira (13), a produção encomendou uma transmissão de 15 segundos em um telão na Times Square para a divulgação do filme. A produção do documentário não divulgou os custos para a veiculação do vídeo.