Análise: Candidatos citam Lula e Bolsonaro, mas evitam nacionalizar debate em BH
Duda Salabert (PDT) tentou trazer polêmicas do governo de Jair Bolsonaro (PL) ao debate, o que foi evitado por parte de Bruno Engler (PL); atual prefeito foi principal alvo

Com dois anos de mandato cumpridos, o atual prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD-MG), virou um dos alvos principais dos candidatos na capital de Minas Gerais — e foi obrigado a passar boa parte do debate da Band nesta quinta-feira (8) defendendo-se das críticas à gestão.
O debate foi majoritariamente focalizado em infraestrutura, transporte público, segurança pública, saúde e educação.
Apesar de menções por parte dos candidatos do PL e do PT, o deputado estadual Bruno Engler (PL) e Rogério Correia (PT), respectivamente, os postulantes evitaram nacionalizar o debate — e preferiram discutir os assuntos relacionados à capital mineira.
Correia elencou sua relação com o governo federal. “Eu sou o candidato do Lula”, afirmou ele, que trouxe o nome do presidente ao debate reiteradas vezes. Ele foi o candidato que mais tentou nacionalizar o debate e fez críticas duras a Jair Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente não irá a Belo Horizonte “porque estará preso”.
Engler, por sua vez, procurou fugir das principais polêmicas envolvendo o governo Bolsonaro — apenas mencionou o ex-presidente como um importante apoiador, mas disse preferir discutir uma cidade “travada no século 20”.
Ele, assim como Correia, fez em relação ao presidente Lula, se apresentou como “o candidato do Bolsonaro”.
A deputada Duda Salabert (PDT) tentou nacionalizar o debate abordando com Engler questões voltadas à área ambiental, à gestão da pandemia, ao uso de máscaras e à posição do deputado sobre a vacinação contra a Covid-19, dizendo que o PL abriga “terraplanistas”.
Engler evitou nacionalizar o debate e responder com propostas sobre políticas de prevenção a enchentes.
A deputada e Rogério Correia, que flertaram pela construção de uma chapa na pré-campanha, fizeram uma dobradinha em defesa de políticas voltadas à educação — como o fomento a políticas envolvendo o período integral para estudantes e a valorização de servidores públicos.
Na liderança das pesquisas, o apresentador Mauro Tramonte (Republicanos) teve uma atuação discreta durante o debate. Ele afirmou que um dos principais problemas a serem enfrentados por uma eventual gestão envolveriam a saúde pública.
Tramonte teve que responder ao fato de ser apoiado pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (Republicanos) e pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) — opositores no pleito pelo governo do estado em 2022. Ele também apresentou o apoio dos dois caciques como trunfo.
Ele disse que todos os candidatos procuraram os apoios de Kalil e Zema, mas disse que quem governará é ele.
Presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o candidato Gabriel Azevedo (MDB) centralizou sua estratégia durante o debate em criticar o atual prefeito — mas elencou suas realizações como presidente da Câmara.
Azevedo focou na apresentação de suas propostas envolvendo o desenvolvimento econômico da cidade. Fuad, como esperado, respondeu com os resultados de sua gestão.
Ainda seguindo a estratégia de atacar a atual gestão, o senador Carlos Viana (Podemos) exaltou sua atuação como senador, abordando, por exemplo, a obtenção de recursos para a construção de linhas de metrô em Belo Horizonte no Congresso Nacional.
Fuad gastou muito tempo defendendo-se das críticas e afirmou que “Belo Horizonte é hoje um grande canteiro de obras”. “Eu não estou entendendo essa situação tão ruim sobre a qual o senhor está falando”, disse Fuad Noman.
Ele elencou sua experiência na vida pública e disse querer concluir obras iniciadas em sua gestão.
O atual prefeito cometeu uma gafe durante o debate e referiu-se à candidata Duda Salabert como “senhor”. Ela corrigiu o prefeito, que admitiu ter cometido um erro.



