Transição energética ganha força no Projeto Eloos
Evento reuniu autoridades, especialistas e o CEO da Norsk Hydro Brasil para debater segurança regulatória, expansão das renováveis e os desafios do cenário pós-COP 30

Num momento em que o Brasil busca acelerar sua transição energética, impulsionado pela realização da COP 30 no país, pela expansão das fontes renováveis e pela urgência de modernizar sua infraestrutura, o debate sobre o futuro da energia deixou de ser apenas técnico e passou a ocupar lugar estratégico na agenda nacional.
Mesmo com uma das matrizes mais limpas do mundo, o país ainda convive com desafios importantes, entre eles insegurança regulatória, custos elevados, complexidade normativa e dificuldades para escoar a produção solar e eólica.
Foi diante desse cenário que o Projeto Eloos, iniciativa da Itatiaia em parceria com a CNN Brasil, realizou seu segundo ciclo em Belo Horizonte.
Debates moldam o futuro energético
O encontro reuniu autoridades, especialistas e lideranças empresariais para discutir os rumos do setor energético brasileiro. Entre as personalidades presentes estavam a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira e representantes de empresas dos segmentos de energia, infraestrutura, automotivo e mineração.
Ao longo da programação, os participantes analisaram temas como modernização regulatória, armazenamento por baterias, integração de fontes renováveis, competitividade industrial e expansão da infraestrutura. O clima geral entre os painelistas apontou para um consenso. O Brasil vive uma janela histórica para se consolidar como potência global em energia limpa, desde que avance com previsibilidade, coordenação e visão de longo prazo.
Redes do futuro e inteligência tecnológica
Foi nesse ambiente que Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil — empresa global de alumínio e energia renovável, com presença estratégica no país — integrou o painel dedicado a debater o tema “Redes do futuro. Inteligência tecnológica na transição energética pós-COP 30”. A mesa discutiu como inovação e tecnologia podem acelerar a construção de uma infraestrutura energética preparada para as próximas décadas.
Baranov dividiu o palco com representantes da Light, Petrobras e Terreos Açúcar e Energia. Sua participação trouxe a perspectiva de um setor que depende diretamente de energia estável, competitiva e respaldada por um ambiente regulatório previsível.
Previsibilidade regulatória como base do investimento
Logo no início, o executivo destacou que o Brasil reúne todas as condições para liderar a transição energética, mas ainda enfrenta obstáculos que afetam a confiança dos investidores. Ele lembrou que a companhia realizou investimentos bilionários seguindo regras estabelecidas e que mudanças posteriores criaram incertezas para quem depende de planejamento de longo prazo.
“Temos todo o potencial, mas ainda há muito a fazer. Já vimos em painéis anteriores como a regulação é complexa e como a falta de segurança jurídica preocupa a indústria, especialmente uma empresa como a Hydro, que vem da Noruega, onde há tradição de planejamento, investimentos e estabilidade.”
Baranov citou que a companhia participou de investimentos da ordem de R$ 12,6 bilhões em descarbonização, com projetos de energia renovável, incluindo solar e eólica. Segundo ele, mudanças regulatórias podem interferir no funcionamento cotidiano de projetos já operacionais, como é o caso do curtailment, mecanismo que restringe a entrega da energia gerada e que pode atingir até mesmo plantas de autoprodução. O tema hoje integra o debate nacional, por exemplo, por meio da Lei 15.269/2025, recentemente sancionada a partir da MP 1304.
Energia competitiva como motor econômico
Ao tratar do custo da energia para o setor produtivo, Baranov ressaltou que preços mais competitivos podem impulsionar a economia de maneira direta. Ele observou que preços adequados fortalecem a capacidade de produção, geram empregos e ampliam divisas.
“Se você barateia a energia para o setor produtivo, torna a indústria brasileira mais competitiva. E, ao fortalecer essa competitividade, você aumenta emprego, gera divisas e impulsiona vários fatores que estimulam a demanda.”
Na sequência, defendeu que o país avance em integração produtiva para aproveitar melhor a energia já disponível. Ele reforçou a ideia ao afirmar que o Brasil precisa usar o seu potencial como ferramenta de desenvolvimento interno.
Um momento decisivo para o setor energético
No encerramento, Baranov ressaltou que o setor chega a um ponto de inflexão, em que as decisões tomadas agora definirão o futuro da energia no país. Para ele, o Brasil vive uma oportunidade rara de impulsionar desenvolvimento econômico e social a partir da energia, desde que haja previsibilidade e coordenação entre os diferentes agentes públicos e privados.
“Temos hoje uma oportunidade única de melhorar este país por meio da energia. Eu realmente acredito que a energia é a solução para o Brasil. Se você aumenta consumo, regula bem e garante segurança jurídica, atrai investimento.”
O executivo também alertou para os riscos que a instabilidade institucional impõe ao investidor estrangeiro. “Quando não há estabilidade, o investidor estrangeiro que aposta no Brasil hoje deixa de fazê-lo amanhã. Ele simplesmente busca outro destino.”
Em sua conclusão, Baranov defendeu que o país aproveite o momento com responsabilidade, diálogo e visão estratégica. “Precisamos ter consciência de que estamos em um momento único e temos que aproveitá-lo com diálogo, mas também com responsabilidade, cabeça aberta e disposição para negociar, para que a energia e outros fatores sejam parte da solução para o país.”
