Furto de energia: quem paga o preço dos “gatos de luz”?
Light intensifica combate às ligações clandestinas, que colocam vidas em risco, prejudicam o fornecimento de energia e comprometem investimentos no Rio de Janeiro

O furto de energia ocorre de diferentes formas. Entre as mais comuns estão as conexões feitas diretamente na rede, sem passagem pelo medidor, e as adulterações dos equipamentos para registrar um consumo inferior ao real. Essas práticas integram as chamadas perdas não técnicas, que incluem o furto de energia – eletricidade consumida, mas não contabilizada corretamente pelos medidores de energia – e outras irregularidades.
Além das ligações clandestinas, há o perigo das instalações improvisadas. Cabos e transformadores podem receber uma carga superior à prevista, provocando aquecimento, oscilações de tensão e interrupções no fornecimento de energia. Intervenções feitas sem os cuidados técnicos necessários também aumentam o risco de choques elétricos, curtos-circuitos e incêndios.
As consequências não ficam restritas ao imóvel onde a fraude foi cometida. Uma falha em um transformador pode deixar várias ruas sem luz. Mesmo sem uma interrupção completa, oscilações de tensão podem danificar eletrodomésticos, computadores e equipamentos comerciais.
Em hospitais e clínicas da família, a continuidade do abastecimento é essencial para o funcionamento de equipamentos médicos, além de manter a conservação de medicamentos e outros insumos, mesmo nas unidades que dispõem de sistemas de emergência como geradores de energia. Para escolas, a falta de eletricidade compromete aulas e atividades que dependem de recursos eletrônicos, além de afetar ainda mais alunos que estudam à noite, por exemplo. Já nos estabelecimentos comerciais, pode interromper sistemas de pagamento e refrigeração de produtos.
Prejuízo bilionário compromete recursos para investimentos
Apesar dos esforços permanentes de combate ao furto de energia, as ligações clandestinas continuam representando um dos principais desafios para a distribuição de energia na área de concessão da Light. Somente em 2026, até agosto, a empresa regularizou mais de 179 mil ligações irregulares em residências e comércios e recuperou 259 GWh de energia, volume suficiente para abastecer cerca de 95 mil residências durante um ano.
Além disso, os “gatos” geram prejuízos estimados em R$ 1,3 bilhão por ano, recursos que poderiam ser destinados à modernização da rede elétrica, à substituição de equipamentos, ao reforço da infraestrutura e à ampliação da qualidade do fornecimento. Para se ter uma dimensão do problema, a Light estima que, a cada 100 clientes regulares, 36 furtam energia.
Além do impacto financeiro, as fraudes também dificultam o planejamento da expansão e manutenção do sistema elétrico. Como a energia desviada não é contabilizada corretamente nos registros de consumo, a concessionária precisa realizar estudos adicionais para identificar a demanda real de cada região e dimensionar adequadamente equipamentos, redes e investimentos necessários para acompanhar o crescimento das áreas atendidas.
As ligações clandestinas também provocam consequências diretas para a população. A sobrecarga nos transformadores aumenta o risco de acidentes, reduz a vida útil dos equipamentos e pode causar interrupções no fornecimento, afetando principalmente os clientes que mantêm suas contas em dia.
Tecnologia reforça combate às fraudes
A identificação de ligações clandestinas reúne análise de dados e trabalho das equipes de campo. A Light utiliza ferramentas de inteligência artificial para examinar padrões de consumo e localizar situações suspeitas. Os medidores inteligentes também fornecem informações que orientam as fiscalizações.
Segundo a concessionária, são realizadas cerca de 1.400 verificações por dia em sua área de atuação. Os profissionais recebem treinamento para reconhecer diferentes modalidades de desvio, avaliar as condições das instalações e realizar os procedimentos técnicos necessários para confirmar irregularidades.
Em algumas regiões do Rio de Janeiro, a violência dificulta o acesso das equipes. A empresa mantém parcerias com órgãos públicos e forças de segurança para realizar operações nessas localidades, além de colaborar com o Disque-Denúncia no recebimento de informações sobre possíveis fraudes.
O trabalho inclui ações especiais de fiscalização, com a mobilização de diferentes equipes para identificar desvios e realizar intervenções nas instalações elétricas.
Mais de 179 mil ligações regularizadas
Os resultados das ações de combate ao furto também aparecem no volume de eletricidade recuperada. Até agosto de 2026, a Light contabilizava 259 gigawatts-hora (GWh) recuperados, quantidade suficiente para abastecer, aproximadamente, 95 mil residências durante um ano, segundo estimativa da concessionária.
A regularização envolve a adequação das conexões às exigências técnicas de segurança e a correção dos sistemas de medição. Além de eliminar instalações irregulares, o procedimento permite que o fornecimento seja realizado com equipamentos apropriados e o consumo devidamente registrado.
Vale lembrar que o furto de energia é crime previsto no artigo 155 do Código Penal, que equipara a eletricidade a bem móvel. As penas variam conforme as circunstâncias do delito e podem chegar a oito anos de reclusão nos casos de furto qualificado.
A Light orienta os consumidores a não realizar intervenções em fios, postes ou medidores sem autorização. Suspeitas de ligações clandestinas devem ser comunicadas pelos canais oficiais da concessionária ou às autoridades competentes.
