CMN alivia condições de bancos para aumentar oferta de crédito


Do CNN Brasil Business, em São Paulo
16 de Março de 2020 às 12:27 | Atualizado 16 de Março de 2020 às 17:08
Viajante com máscara chega ao aeroporto de Guarulhos vindo da Europa

Viajante com máscara chega ao aeroporto de Guarulhos vindo da Europa; para conter efeitos da pandemia, Banco Central aprova pacote de medidas econômicas 

Foto: Amanda Perobelli - 27.fev.2020/ Reuters

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária nesta segunda-feira (16), duas medidas econômicas para conter os impactos do coronavírus no Brasil. Em termos gerais, as ações vão expandir a oferta de crédito.  

A primeira medida, de acordo com o Banco Central, facilita a renegociação de operações de créditos de empresas e de famílias que possuem boas condições financeiras. A ação libera os bancos de aumentarem o provisionamento (recursos em caixa para casos de perdas) em caso de renegociação de operações de crédito nos próximos seis meses. 

"Estima-se que aproximadamente R$ 3,2 trilhões de créditos sejam qualificáveis a se beneficiar dessa medida, cuja renegociação dependerá, naturalmente, do interesse e da conveniência das partes envolvidas", indica a nota enviada pelo Banco Central. 

Já a segunda medida tem como foco expandir a capacidade de utilização de capital dos bancos, a fim de melhorar o ambiente para eventuais renegociações de dívidas, além de manter fluxo de concessão de crédito.

Em termos práticos, a medida expande a folga de capital, ou seja, a diferença entre o capital efetivo e o mínimo requerido, dando mais espaço e segurança aos bancos, para que eles aumentem a oferta de crédito. 

"Esta medida reduz o Adicional de Conservação de Capital Principal (ACPConservação) de 2,5% para 1,25% pelo prazo de um ano, ampliando a folga de capital do Sistema Financeiro Nacional (SFN) em R$ 56 bilhões", diz a nota. "Isso permtiria aumentar a capacidade de concessão de crédito em torno de R$ 637 bilhões."

"Arsenal de instrumentos" para conter impactos do coronavírus 

Em nota, o Banco Central reforçou que ainda possui um amplo arsenal de instrumentos e que adotará todas as medidas necessárias para apoiar empresas e famílias contra os efeitos do COVID-19. 

Entre os instrumentos citados para conter os impactos da pandemia na economia brasileira, estão medidas regulatórias e recolhimento compulsório, hoje em torno de R$ 400 bilhões e o colchão de US$ 360 bilhões em reservas internacionais, que assegura a liquidez em moeda estrangeira e regula o funcionamento do mercado de câmbio. 

"Após atravessar a forte crise financeira internacional de 2008 e a maior recessão da história brasileira em 2015 e 2016, todos os bancos, sem exceção, cumprem atualmente os requerimentos de capital e de liquidez, e estão prontos para apoiar a economia", afirma o BC em nota.