Ibovespa despenca 14% por incertezas às medidas contra coronavírus


Reuters
16 de março de 2020 às 18:44 | Atualizado 16 de março de 2020 às 19:54
Bolsa de valores de São Paulo

Preocupações com disseminação do coronavírus derrubou principal índice da bolsa de valores de São Paulo

Foto: Amanda Perobelli/Reuters (25.7.2019)
 

O Ibovespa fechou em queda de mais de 10% nesta segunda-feira, renovando mínimas desde 2018, em nova sessão com circuit breaker, com as últimas respostas de autoridades aos efeitos da pandemia do novo coronavírus trazendo aflição de que a desaceleração nas economias será maior do que se vem projetando.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 13,92%, a 71.168,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 52,9 bilhões, influenciado ainda pelo vencimento dos contratos de opções sobre ações, que movimentou R$ 21,4 bilhões.

O circuit breaker foi acionado às 10:24, após o Ibovespa cair 12,53%, a 72.321,99 pontos, o quinto do mês em meio à forte volatilidade nos mercados devido ao vírus e seus efeitos econômicos. Na mínima, o Ibovespa chegou a 70.854,82 pontos, queda de 14,3% e quase disparando um segundo circuit breaker na sessão.

O Federal Reserve e outros bancos centrais, incluindo Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BOJ), agiram de forma agressiva e emergencial com cortes de juros e ofertas de dólares baratos para ajudar a combater os efeitos da pandemia.

"O vírus está afetando profundamente as pessoas nos Estados Unidos e no mundo", disse o chairman do Fed, Jerome Powell, no domingo, após reduzir a taxa de curto prazo para uma faixa de 0% a 0,25%, e anunciar pelo menos US$ 700 bilhões em Treasuries e compras de títulos garantidos por hipotecas nas próximas semanas.

"A decisão inesperada do Fed ...acabou gerando uma nova onda de pânico no mercado", observou o analista de ações Rafael Ribeiro, da Clear Corretora.

"Esse senso de urgência acabou intensificando a hipótese de que a desaceleração da economia por conta do coronavírus será mais forte do que o projetado, como os impactos no sistema financeiro, em especial pelo lado do fluxo de crédito, pode ser mais profundo."

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de 11,98%, também tendo parado os negócios momentaneamente em razão de circuit breaker.

A equipe do Credit Suisse observou que o mercado parece estar mais cético e "preocupado que essas medidas não serão suficientes pra conter o real impacto econômico causado pelo coronavírus, o que pode indicar o início de uma semana ainda bem volátil", conforme nota a clientes da corretora do banco.

No Brasil, agentes financeiros monitoram o Banco Central, principalmente a possibilidade de um corte nesta semana na taxa Selic, atualmente em 4,25% ao ano.

Economistas do UBS, porém, em relatório a clientes nesta segunda-feira, afirmaram acreditar que os últimos desdobramentos justificam um movimento mais agressivo e preventivo pelo BC. "Nós agora estimamos um corte imediato de 1 ponto percentual, levando a Selic para 3,25%", afirmaram.

Destaques

- AZUL PN fechou em queda de 36,87%, a R$ 15,60, mínima histórica, equivalente a uma perda de valor de mercado de R$ 3 bilhões, para R$ 5,1 bilhões. Os papéis seguem afetados pelos efeitos da pandemia do coronavírus, além da valorização do dólar para acima de R$ 5 nesta sessão. A Azul anunciou uma série de medidas, entre elas a redução de sua capacidade consolidada de 20% a 25% no mês de março, e entre 35% a 50% em abril e meses seguintes, até que a situação se normalize. Também comunicou suspensão dos voos internacionais, exceto os que partem de Campinas (SP).

- GOL PN caiu 28,02%, a R$ 8,02, mínima desde julho de 2017 e equivalente a uma perda de valor de mercado de R$ 856,6 milhões, para R$ 2,2 bilhões. O papel também segue afetado pelos desdobramentos ligados à pandemia do coronavírus e comportamento da taxa de câmbio. Na sexta-feira à noite, a aérea anunciou o cancelamento da proposta de reorganização societária de seu negócio de programa de fidelidade SMILES, que terminou a sessão em baixa de 28,2%.

- CVC BRASIL ON recuou 32,25%, a R$ 10,40, mínima desde fevereiro de 2016, com o setor de viagens como um todo afetado pela evolução do coronavírus, com países fechando fronteiras e companhias aéreas reduzindo capacidade e suspendendo voos. O dólar acima de R$ 5 também pesou. A operadora de turismo perdeu R$ 739 milhões em valor de mercado nesta sessão, para R$ 1,55 bilhão.

- PETROBRAS PN caiu 15% e PETROBRAS ON perdeu 17,21%, em nova sessão de tombo dos preços do petróleo no exterior, onde o Brent fechou em baixa de 11,23%, além do clima mais pessimista nos mercados como um todo.

- VALE ON cedeu 9%, também contaminada pela onda de vendas generalizadas, embora a alta dos preços do minério de ferro na China tenham proporcionado um desempenho melhor do que o Ibovespa.

- BANCO DO BRASIL ON caiu 16,69%, pior desempenho entre os bancos do Ibovespa, com BRADESCO PN cedendo 14,27% e ITAÚ UNIBANCO PN recuando 9,19%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta segunda-feira, em reunião extraordinária, medidas para facilitar a renegociação de dívidas bancárias ao afrouxar requerimentos que devem ser cumpridos pelas instituições financeiras, numa resposta aos potenciais impactos do coronavírus sobre a economia brasileira. Os cinco maiores bancos brasileiros prorrogarão vencimento de dívidas a pessoa física e micro e pequenas empresas.