Agenda de concessões não está paralisada, diz ministro da Infraestrutura


Da CNN em São Paulo
22 de março de 2020 às 20:02
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em encontro organizado pela Embaixada da Itália, em Brasília (14.mar.2019)

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A agenda de concessões está mantida para o segundo semestre, mesmo com o avanço do coronavírus no Brasil. Pelo menos, essa é a visão do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, em entrevista exclusiva para a CNN.

Segundo ele, os projetos continuam sendo estruturados e até admitiu que alguns deles podem sofrer com atrasos por conta de ritos como audiências públicas, mas confirmou que novos ativos serão concedidos no segundo semestre.

“Certamente haverá algum atraso, mas a agenda não está paralisada”, disse o ministro. Questionado se o interesse de estrangeiros teria diminuído com o avanço da crise no mundo inteiro, Freitas negou que isso estaria acontecendo.

“Alguns investidores estão pedindo para adiar um pouco, mas o interesse continua”, afirmou. “Eles estão olhando para o longo prazo e continuamos tendo ativos muito interessantes.”

A respeito dos efeitos do coronavírus na logística, o ministro disse que há um esforço de todo o governo para manter as rodovias, portos e aeroportos funcionando. Uma das medidas foi uma integração com todos os estados com a formação de um comitê de crise com os secretários estaduais de transporte.

O ministro também comentou sobre a atitude de governantes em fechar rodovias e portos para diminuir a proliferação do coronavírus. Segundo ele, apesar das boas intenções de governadores e prefeitos, essas medidas precisam ser mais bem discutidas.

“Acho que todos buscam fazer o melhor, mas as medidas precisam ser tomadas pensando nos efeitos colaterais. E a missão do Ministério é alertar sobre isso”, diz Freitas. “Vamos ter uma diminuição cada vez mais importante do transporte aéreo, então diversas pessoas vão depender do transporte interestadual. Como dosamos isso?”

Fechamento de estabelecimentos

Freitas alertou dos perigos de algumas medidas de quarentena de estados e municípios. Segundo ele, serviços essenciais não podem ser fechados e o ministro foi além de supermercados: borracharias, mecânicas e outros estabelecimentos também foram lembrados.

“Precisamos manter as cidades abastecidas. Então, a carga precisa chegar. É preciso produzir e as pessoas têm que trabalhar”, disse o ministro. “O caminhão precisa circular, mas o pneu continuará dando problema, assim como falhas mecânicas. Precisamos dar uma estrutura para que tudo funcione.”

Sobre o funcionamento dos portos, o ministro lembrou que o Brasil possui um alto déficit da balança comercial em produtos relacionados à saúde. Por isso, é importante que todos continuem funcionando. Ainda segundo o ministro, portuários e caminhoneiros estão trabalhando como verdadeiros “soldados”.