Para Copom, corte da Selic teria que ser superior para compensar impactos


Anna Russi Da CNN, em Brasília
23 de março de 2020 às 09:15
 
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto em entrevista coletiva

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto em entrevista coletiva (09.jan.2020)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) acredita que a pandemia do Coronavírus irá afetar a economia brasileira em três canais: choque de oferta, choque nos custos de produção, e com a retração da demanda. Para compensar os efeitos desta última, as simulações apresentadas na última reunião, realizada na semana passada, mostraram que, seria necessário que o corte da taxa básica de juros, a Selic, fosse maior do que os 0,5% ponto percentual, anunciados. 

Por outro lado, o BC avaliou uma maior redução da Selic poderia tornar-se "contraproducente", resultando em apertos nas condições financeiras, com efeito líquido oposto ao desejado.  O argumento é que, com as reformas em risco, o corte de juros poderia fazer desancorar mais as expectativas de inflação que hoje estão ancoradas.

A avaliação está na ata da reunião 229ª do comitê, realizada nos dias 17 e 18. De acordo com o documento, as informações atuais sinalizam como adequada a permanência da taxa na mínima histórica de 3,75% ao ano. No entanto, "novas informações sobre a conjuntura econômica serão essenciais para os próximos passos".

Ainda segundo o Copom, as informações disponíveis até o momento já são suficientes para evidenciar que a pandemia do novo coronavírus terá efeito contracionista "extremamente significativo" na atividade econômica global.

"As medidas fiscais e monetárias adotadas pelas principais economias tendem a mitigar apenas uma pequena parcela desses efeitos", traz a ata. No entanto, na análise do comitê, o ambiente passou de favorável para desafiador para países emergentes. O motivo é que o aumento de aversão ao risco e a consequente realocação de ativos provocam "aperto" nas condições financeiras. 

Para o Copom, o choque de custos implicará em "forte impacto desinflacionário no curto prazo". Porém, o efeito deve ser relativizado, visto que poderá ser temporário. 

A ata traz também a informação de que os dados macroeconômicos divulgados desde a reunião 228, tiveram desempenho em linha com o esperado. Contudo, ainda não refletem os impactos da pandemia na atividade doméstica. Assim, têm pouca relevância para a analise prospectiva.