Gol e Azul fazem corte drástico em oferta de voos e ações disparam


Reuters*
24 de março de 2020 às 13:57 | Atualizado 24 de março de 2020 às 18:33
Aeroporto de Campinas

Mulher com máscara de proteção passa por painéis com lista de voos no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP) (16.mar.2020)

Foto: Rahel Patrasso/Reuters

As companhias aéreas Gol e Azul anunciaram nesta terça-feira novas medidas para fazer frente à queda na demanda de passageiros em razão da pandemia do Covid-19, com drástico corte na oferta de voos, o que respaldava forte valorização de suas ações em sessão mais positiva nos mercados no Brasil e no exterior.

A Gol anunciou que reduziu a oferta de voos em aproximadamente 92% no mercado doméstico e que vai parar de operar nos mercados internacionais entre o período de 28 de março a 3 de maio, com suspensão de todas as operações regionais e internacionais regulares.

"Enquanto os brasileiros adotarem um comportamento responsável de isolamento social e evitarem viagens, a Gol manterá uma malha essencial de 50 voos diários entre o Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos e as demais 26 capitais", afirmou a companhia em fato relevante.

Segundo a Gol, a oferta de serviços será ajustada conforme a demanda específica dessas capitais e voos extras ocorrerão de acordo com a necessidade para destinos regionais e internacionais. O tempo limite das conexões será flexibilizado para assegurar a interligação entre capitais em até 24 horas.

Na mesma direção, a Azul comunicou que entre 25 de março e 30 de abril espera operar 70 voos diretos por dia, para 25 cidades, o que representa uma redução de 90% de sua capacidade total.

"As medidas de contenção e quarentena que estão sendo implementadas em todo o país estão limitando significativamente a mobilidade de nossos clientes, tripulantes e parceiros, o que torna inviável a operação de várias rotas que servimos", disse a Azul.

Por volta das 12:50, os papéis preferenciais da Gol subiam 16,88% e as ações preferenciais da Azul tinham valorização de 17,93%, entre as maiores altas do Ibovespa, que subia 11%. Na máxima da sessão, chegaram a avançar 24,10% e 23,67%. Até a véspera, acumulavam quedas de 82% e 75,5% em 2020.

O setor aéreo no mundo todo vem sofrendo mais recentemente em razão da série de medidas de restrição de circulação de pessoas decorrente da rápida disseminação do novo coronavírus.

Mais cedo, o chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) alertou que as companhias aéreas de todo o mundo estão em situação de emergência e os pacotes de resgate de governos são necessários o mais rápido possível para evitar o colapso de várias empresas.

No Brasil, o setor é ainda afetado pelo comportamento da taxa de câmbio, com o dólar mostrando forte valorização em relação ao real neste ano. Nesta sessão, porém, o dólar cedia 1,25%, a R$ 5,07 na venda.

Mais medidas

A Azul também divulgou que aumentou a quantidade de tripulantes que aderiram ao programa de licença não-remunerada da companhia, totalizando mais de 7,5 mil até esta terça-feira, o que representa mais de metade do total da força de trabalho da empresa.

A aérea ainda anunciou a redução de 50% nos salários de membros do comitê executivo (diretores e diretores estatutários) e corte de 25% nos salários dos gerentes.

A Azul também está trabalhando para fortalecer sua liquidez, negociando novas condições de pagamento com seus parceiros e avaliando uma nova linha de crédito com instituições financeiras, entre outras iniciativas.

Já a Gol disse que flexibilizou as regras e procedimentos de alteração de passagens, para que os clientes com voos reservados entre 28 de março e 3 de maio tenham a opção de alterar suas viagens sem nenhuma cobrança de taxa.

Latam 

A Latam Airlines Brasil afirmou que está trabalhando em um ajuste da sua malha doméstica e internacional "na medida em que a demanda continua a cair", e que existem cada vez mais restrições nas fronteiras em razão do novo coronavírus. A empresa informou que anunciará esses ajustes nos próximos dias.

"A LATAM Airlines Brasil está trabalhando em um ajuste da sua malha doméstica e internacional na medida em que a demanda continua a cair e existem cada vez mais restrições nas fronteiras. Nos próximos dias anunciaremos estes ajustes", disse em nota.

A reportagem questionou a empresa sobre reajustes na malha após a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) comunicar nesta terça-feira que ficou acertado com as empresas aéreas que haverá manutenção de pelo menos uma ligação aérea em cada Estado.

* (Com informações do Estadão Conteúdo)