A Smart Fit fechou as suas academias, mas quer que você treine em casa

Maior rede de academias da América Latina vê o seu aplicativo para treinos em casa atingir mais de 1,6 milhão de pessoas. Conheça a sua estratégia

André Jankavski do CNN Brasil Business
25 de março de 2020 às 12:38 | Atualizado 25 de março de 2020 às 17:34
 
Foto: Divulgação/Smart Fit

O ano de 2020 se desenhava como histórico para a rede de academias Smart Fit. Após encerrar 2019 com 797 academias espalhadas pela América Latina, a meta da empresa era ambiciosa: inaugurar uma unidade a cada 36 horas, o que resultaria em 238 novos estabelecimentos. Ou seja, ultrapassaria a barreira simbólica de 1 mil unidades. Mas aí veio a COVID-19 e tudo mudou. A empresa decidiu fechar todas as suas academias por tempo indeterminado e viu os seus planos serem adiados.

Agora, o fundador e presidente da Smart Fit, Edgard Corona, precisou mudar os seus planos. Das novas aberturas, somente as 70 que estão em construção atualmente têm a garantia de que serão, de fato, inauguradas. O faturamento também deve sofrer um baque. Isso porque a empresa decidiu congelar as mensalidades dos seus alunos automaticamente. O impacto nas receitas deve ser de, no mínimo, R$ 150 milhões.

“Essa é uma crise que não tem manual, pois nunca ninguém viveu isso. Temos a crise do feirante que não tem para quem vender, depois não vai ter de quem comprar”, diz Corona ao CNN Brasil Business.

Pelo menos por enquanto, dinheiro não é problema para a Smart Fit. No fim de novembro, a empresa conseguiu levantar R$ 1 bilhão ao vender 12,4% de participação para o fundo canadense CPPIB. No mês anterior, também conseguiu um aumento de capital no valor de R$ 500 milhões com fundos geridos pelo grupo Pátria, que é o principal acionista da empresa.

E, por incrível que possa parecer, a empresa está conseguindo dar um salto em um produto estratégico em meio à pandemia: um site com dicas e demonstrações de exercícios para serem feitos em casa. Com as pessoas sendo obrigadas a ficar em suas residências por causa da quarentena, a Smart Fit decidiu liberar o seu programa Smart Fit Treine em Casa de forma gratuita para todos os usuários.

Desde o início da quarentena (a empresa fechou todas as unidades na América Latina no dia 18 de março), a Smart Fit viu o seu site ser acessado por mais de 1,6 milhão de usuários. Por dia, segundo a companhia, 400 mil pessoas acessam à plataforma para continuar se exercitando em casa.

Na contramão da crise

Trata-se de um setor que diversas empresas, tanto do segmento de academias quanto do de tecnologia, estão apostando para os próximos anos. De acordo com a consultoria americana Grand View Research, o faturamento desse segmento em específico vai crescer mais de três vezes até 2026.

Enquanto, atualmente, esses aplicativos já movimentam US$ 2,6 bilhões, nas contas da Grand View Research esse valor chegará próximo aos US$ 11 bilhões em seis anos.

“Sabemos que dar apenas esse tipo de conteúdo não é o ideal, mas estamos conseguindo atender os nossos clientes em um momento em que eles não possuem outras opções”, diz Corona.

É bom lembrar que o investimento nesse tipo de plataforma representa uma fração mínima dos aportes que a empresa planeja dispender em sua expansão. Apenas para as 240 unidades esperadas para 2020, a Smart Fit já tinha separado R$ 1 bilhão – a empresa gasta cerca de R$ 4 milhões em cada unidade, a maioria própria.

É dessa maneira que a empresa deve enfrentar 2020. O plano inicial, de ultrapassar a rival holandesa Basic-Fit como a segunda maior do mundo (atualmente, a Smart Fit é a terceira no ranking global), deve atrasar um pouco. Da mesma forma, a empresa ainda persegue o lucro: nos nove primeiros meses de 2019, a empresa teve um prejuízo de R$ 61 milhões.

De repente, 2020 seja o ano em que a empresa consiga dar saltos em um produto altamente rentável. Se for dessa maneira, Edgard Corona, que também está de quarentena como precaução à COVID-19, ficará feliz.