Guedes defende Bolsonaro e diz que boato de demissão é "conversa fiada total"

"O presidente tem total confiança em mim”, disse ministro da Economia, que também apoiou discurso em que o presidente defendeu o isolamento vertical

Noeli Menezes Da CNN, em Brasília
28 de março de 2020 às 20:13 | Atualizado 28 de março de 2020 às 21:11
O ministro da Economia, Paulo Guedes
Foto: CNN Brasil - 15.mar.2020

O ministro da Economia, Paulo Guedes, negou no início da noite deste sábado (28), durante live realizada pela XP Investimentos, que pretenda deixar o cargo ou que possa ser demitido pelo presidente Jair Bolsonaro. 

“Conversa fiada total. O presidente tem total confiança em mim”, afirmou sobre as informações de que possa deixar a pasta. “Não existe isso de sair. Como vou deixar o país numa situação tão grave, tendo condições de ajudar?”


Guedes afirmou que está no Rio, mas está trabalhando o tempo todo, falando com toda equipe econômica o tempo todo. “O que aconteceu é que fui despejado do hotel. Tinha acabado de fazer o teste [para COVID-19], que deu negativo. No Planalto, tinha gente com teste positivo. Vim para o Rio para passar uma semana.”

Ele disse ainda que aceitou a oferta de Bolsonaro para ficar na Granja do Torto, para onde deve se mudar com a família na próxima semana.

O ministro defendeu Bolsonaro, que em pronunciamento ao país defendeu o isolamento vertical. “Estamos numa democracia, é completamente normal que o presidente faça um aviso. Ele falou da primeira onda, que é a que estamos passando, quando as pessoas precisam se recolher. Mas é preciso olhar a próxima onda, que é a de recessão econômica”, afirmou Guedes.

Reação à crise

Ao iniciar sua fala, Guedes defendeu as ações do governo para enfrentar a crise e afirmou que é preciso entender que o Brasil estava em situação econômica diferente do resto do mundo. “Lá fora, o mundo estava em desaceleração. O mundo era um avião descendo. O Brasil estava numa situação diferente, estava crescendo, decolando.”

Segundo ele, a crise da emergência mundial do novo coronavírus foi “algo completamente inesperado, não antecipado”, mas defendeu que o governo reagiu rápido, socorrendo os mais frágeis, liberando R$ 147,7 bilhões em antecipação de benefícios (13º para aposentados e pensionistas e abono salarial) e diferimento de impostos.

Ele citou ainda a liberação de R$ 200 bilhões em compulsórios para o setor financeiro para aumentar o crédito, e outros R$ 150 bilhões de créditos liberados por Caixa e BNDES.

Ao somar os recursos de outras ações anunciadas pelo governo, o ministro disse que serão injetados quase R$ 750 bilhões na economia nos próximos três meses. “Vai ser um déficit fiscal extraordinário, mas não tem problema. Depois vamos voltar a fazer nossa lição de casa, aprovar as reformas estruturantes.”

"Coronavoucher"

Guedes rechaçou que seja contra ajudar os mais pobres. “Não temos nada contra a transferência de renda. Somos contra a transferência perversa de renda, com privilégios. Agora temos 30 milhões de brasileiros que nunca pediram ajuda. São feirantes, ambulantes, profissionais autônomos. E de repente essas pessoas não têm mais como sobreviver”, afirmou ao se referir ao “coronavoucher”, benefício de R$ 600 que será pago a trabalhadores informais durante três meses. 

Segundo o ministro, o lema do governo é “não deixar nenhum brasileiro para trás”. “Vamos incluir todo mundo e depois verificar se tem fraude”, declarou, acrescentando que a Caixa será usada para o pagamento do “coronavoucher”.

Guedes disse ainda que a equipe econômica já trabalha para operacionalizar o pagamento do benefício emergencial em “dois ou três dias”. Aprovado na Câmara na última quinta-feira (26), o projeto que cria o “coronavoucher” deve ser analisado pelo Senado na segunda-feira (30). 

Ele também pediu calma ao empresariado. “Não demita agora, porque em três ou quatro dias vamos operacionalizar a complementação da folha de pagamento.”

Governo x Congresso

Sobre a relação com o Congresso, Guedes disse que, antes da crise desencadeada pelo novo coronavírus, “estava super otimista”, porque as reformas estavam andando e até a oposição estava participando, mas acredita que eventuais atritos são normais do processo democrático.

“Eu tenho certeza de que juntos nós vamos atravessar essa crise. Vai ser uma luta feroz, mas vamos sair melhores, mais humanos. A briga, neste momento, será destrutiva. Eu acho que tem muito barulho porque a luta política é assim. Mas, assim que descentralizarmos mais os recursos, vamos começar a perceber que a alternância de poder é benéfica. Na democracia, o barulho acontece. Você não houve barulho da crise do coronavírus na China, nem na Coreia do Norte ou em Cuba. Mas na democracia é assim, tem barulho.”