Professor dá dica de como renegociar aluguel em meio à crise do coronavírus

Coordenador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) fala sobre como gerenciar dívidas em meio à crise econômica da COVID-19

Da CNN, em São Paulo
31 de março de 2020 às 08:59

O professor Alberto Ajzental, coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explicou à CNN, nesta terça-feira (31), como fazer para renegociar o aluguel de imóveis em meio à crise econômica desencadeada pelo novo coronavírus.

"Nessa situação, o aluguel pode ser postergado. O inquilino vai ter que entrar em contato com o proprietário do imóvel e iniciar um processo de negociação", diz o professor, que acrescenta que o ideal é fazer esse contato de imediato, sem deixar para perto da data limite.

A recomendação para a negociação é que, neste momento de salários reduzidos e economia frágil por conta da COVID-19, as duas partes cheguem a um acordo para que seja feita, pelo menos, uma parte do pagamento. 

Ele sugere que a renegociação seja feita com base em 50% do valor pelos próximos dois a três meses, e que o que não foi pago seja dividido. "Que as duas partes consigam chegar a um acordo no qual o locatário paga alguma coisa e o locador consiga receber alguma receita", sugere. "Dessa forma, o inquilino consegue pagar e o proprietário não vai perder o valor total. É um desconto no qual retorna ao valor normal depois do tempo estipulado".

Ajzental fez questão de destacar que o comprometimento da renda que irá afetar aluguéis nesse momento de crise impacta os dois lados. "A gente sempre entende que o proprietário é uma pessoa de posses e rica, que eventualmente pode não precisar da renda. E, de forma geral, imaginamos que o inquilino não tem condições e está sempre em dificuldades. Não necessariamente isso é verdade", defende.

"É verdade que o dono do imóvel tem o bem, mas do outro lado da bancada de negociação pode ter uma senhora idosa, viúva e aposentada, cuja única renda é esse aluguel. Esse contexto serve para desmistificar essa ideia. Com isso, as duas partes têm que chegar em um consenso", conclui.