Novos saques do FGTS podem alcançar R$ 36,2 bilhões

Governo estima que 60,8 milhões de pessoas serão beneficiadas

Anna Russi e Caroline Rosito Da CNN, em Brasília
08 de abril de 2020 às 17:24
A liberação de novos saques do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS), no valor de R$ 1.045 por trabalhador, pode injetar até R$ 36,2 bilhões na economia. Serão 60,8 milhões de pessoas beneficiadas pela medida.

A estimativa do governo é de que 30,7 milhões de brasileiros poderão sacar todo o recurso de suas contas. Somando-se esse número com os 66 milhões de trabalhadores que sacaram todo o dinheiro do fundo no ano passado, as contas que serão zeradas podem representar até 80% do total. "Estamos devolvendo o dinheiro para o trabalhador", disse o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. 

Segundo o secretário Especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, os novos saques só se tornaram possíveis por conta da transferência dos R$ 21,5 bilhões restantes no fundo PIS/Pasep. "Os números possibilitam que os novos saques do FGTS cheguem ao valor de um salário mínimo por trabalhador. Com isso, não há nenhum comprometimento ao funding da construção civil", explicou.

Na avaliação de Waldery, a medida é positiva especialmente por não impactar as contas públicas com uma nova despesa orçamenária. "Tem a característica positiva de não afetar o nosso déficit primário, que já tem um esforço adicional de 3,5% do PIB. Já está bastante substancial. Estamos sendo rápidos e buscando efetividade em cada medida", observou. 

Comparando esse esforço fiscal com o de demais países, o secretário ressaltou que o Brasil está próximo da média de 3,1% do PIB de países avançados. Para países emergentes, como o Brasil, a média do gasto público no combate à pandemia está em 1,6% do PIB.  

Os saques vão começar em 15 de junho e vão até 31 de dezembro. O coronograma e o a execução para retirada do dinheiro ainda serão divulgados Caixa Econômica Federal.