OMC prevê queda comercial pior do que a da última grande crise financeira

Comércio global deve recuar entre 13% e 32% neste ano, de acordo com a instituição

Reuters
08 de abril de 2020 às 11:56 | Atualizado 08 de abril de 2020 às 11:57
Roberto Azevêdo, diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC)
Foto: Denis Balibouse/Reuters

Nesta quarta-feira (8), a Organização Mundial do Comércio (OMC) projetou que o comércio de mercadorias deve encolher mais acentuadamente neste ano do que na crise financeira global de uma década atrás (entre 2008 e 2009), antes de se recuperar em 2021, quando a pandemia de Covid-19 recuar — se os países trabalharem juntos.

A OMC disse que o comércio global recuará este ano entre 13% e 32%, projetando um amplo intervalo porque muito sobre o impacto econômico da crise da saúde é incerto.

"Esses números são feios - não há como evitar isso", disse o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, em comunicado.

"Mas uma recuperação rápida e vigorosa é possível. As decisões tomadas agora determinarão a forma futura das perspectivas de recuperação e crescimento global."

Manter os mercados abertos e previsíveis, disse ele, será fundamental para estimular novos investimentos. Os países que trabalharem juntos terão uma recuperação mais rápida do que se agissem sozinhos.

A OMC, com sede em Genebra, disse que para 2021 está prevendo uma recuperação no comércio global de mercadorias de 21% a 24%, dependendo em grande parte da duração do surto de coronavírus e da eficácia das respostas de políticas monetária e fiscal.

A OMC também confirmou que 2019 terminou em um tom sombrio, com um declínio de 0,1% no comércio de mercadorias, sob o peso das tensões comerciais — principalmente entre os Estados Unidos e a China — e uma desaceleração econômica.

Em outubro, a OMC previa que o crescimento do comércio aumentaria 2,7% em 2020, após expansão de 1,2% em 2019.