IPCA desacelera para 0,07% em março, menor patamar desde 1994

No acumulado de 12 meses até março, o IPCA teve alta de 3,30%, de 4,01% antes

Gustavo Lago, da CNN Brasil, no Rio de Janeiro
09 de abril de 2020 às 09:13 | Atualizado 09 de abril de 2020 às 10:45
A Ladeira Porto Geral, em São Paulo, popular via de comércio, fechada em meio à pandemia 
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Depois de subir 0,25% no mês anterior, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,07% em março, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (9). Este é o menor resultado para um mês de março desde o início do Plano Real (1994),  e ficou 0,18 ponto percentual (p.p.)abaixo da taxa de fevereiro (0,25%).

No acumulado de 12 meses até março, o IPCA teve alta de 3,30%, de 4,01% antes. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,15% em março, acumulando em 12 meses avanço de 3,38%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem por objetivo medir a inflação de produtos e serviços comercializados no varejo. Para realizar o cálculo, o IBGE comparou os preços coletados no período de 3 a 30 de março de 2020 (referência) com os preços vigentes no período de 29 de janeiro a 2 de março de 2020 (base). Por conta da COVID-19, porém, o IBGE suspendeu a coleta presencial de preços no dia 18 de março. A partir dessa data, a pesquisa foi feita por sites de inernet, telefone ou e-mail.

Sobe

Os impactos da pandemia já foram sentidos nos preços de março. Isso porque as pessoas passaram a comer mais em casa, aumentando o comportamento avaliado como "alimentaçao no domicílio", que passou de 0,06% em fevereiro, para 1,40% em março.

Desse modo, o grupo de alimentação e bebidas foi o grupo com maior alta nos preços, com acréscimo de 1,13% - e o maior impacto, 0,22 ponto percentual (p.p.), no mês de março, mostrando aceleração em relação ao resultado de fevereiro (0,11%).

Os destaques, segundo o IBGE, foram o ovo de galinha (4,67%), a batata-inglesa (8,16%), o tomate (15,74%), a cebola (20,31%) e a cenoura (20,39%). As carnes, por outro lado, apresentaram queda de -0,30% - marcando o terceiro mês consecutivo de recuo.

Na sequência, aparece o setor de Educação (+0,59%), com alta pelo segundo mês seguido.

Desce


Segundo o IBGE, três dos nove grupos apresentaram baixa nos preços, sendo eles: artigos de residência (-1,08%), despesas pessoaisi (-0,23%) e transportes (-0,90%).

O segmento de habitação foi impactado pela queda no preço do gás encanado em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. Já o setor de transportes foi marcadopelo recuo de 16,75% nos preços das passagens aéreas e pela redução dos preços de todos os combustíveis.

No caso da gasolina, a Petrobras divulgou ao longo do mês de março uma série de reduções nos preços desse combustível nas refinarias. O último anúncio foi no dia 28 de março, de 5%.

(Com Reuters)