Petrobras é contrária à participação do Brasil no corte global de petróleo

Fontes próximas à empresa argumentam que a Petrobras não é uma empresa 100% estatal e tem acionistas privados

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
09 de abril de 2020 às 20:35 | Atualizado 10 de abril de 2020 às 20:10


A Petrobras é contrária à participação do Brasil no corte global de produção de petróleo, que será discutida nesta sexta-feira (10) pelo ministros de energia do países do G-20, apurou o CNN Business.

Fontes próximas à empresa argumentam que a Petrobras não é uma empresa 100% estatal e tem acionistas privados. Portanto, não poderia ser obrigada pelo governo brasileiro a fazer um corte de produção.

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A estatal brasileira já reduziu sua produção em 200 mil barris dia desde o início da crise do coronavírus, mas para adequar a produção à queda da demanda no Brasil provocada pelo isolamento social.
O impacto do coronavírus no mercado de petróleo será discutido amanhã em videoconferência dos países do G-20. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, vai participar.

Nos últimos dias, o ministro brasileiro conversou com o princípe saudita, Mohammed Abdulaziz bin Salman, com o secretário de Energia dos Estados Unidos, Dan Brouillette, e com o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, Faith Birol.

Rússia e Arábia Saudita estão pressionando Estados Unidos, Brasil, Noruega e outros países produtores a aderir a um corte global na produção de petróleo, que poderia chegar a 15 milhões de barris dia.
Nesta quinta-feira (9), russos e sauditas concordaram em reunião da Organização Países de Petróleo (Opep) com um corte de 10 milhões de barris dia. A Rússia não é membro da Opep, mas participou do encontro.

Com o acordo, os dois gigantes do petróleo encerraram uma guerra de preços que estava derrubando ainda mais as cotações da commodity. Eles querem, no entanto, que os países de fora da Opep também contribuam com um corte adicional de 5 milhões de barris dia.

A maior pressão é sobre os Estados Unidos, que ganharam espaço no mercado internacional depois da descoberta do óleo de xisto. O presidente americano, Donald Trump, vinha insistindo para que sauditas e russos chegassem a um acordo.

Os EUA, no entanto, terão dificuldades para contribuir com essa redução coordenada de produção, porque as empresas são privadas e o governo não instrumentos para obrigá-las a aderir.