Bolsa cai 1,29%, afetada por Petrobras e bancos, após novos temores com COVID-19

Indicadores da economia chinesa e americana pesaram nas decisões do mercado logo na abertura do pregão

Do CNN Business*, em São Paulo
16 de abril de 2020 às 10:19 | Atualizado 16 de abril de 2020 às 18:19
Telão mostra números da Bolsa de Nova York (20.mar.2020)
Foto: Lucas Jackson/File Photo/Reuters

O Ibovespa inverteu o sinal nesta quinta-feira (16), e terminou em queda de mais de 1%, prejudicado pelo desempenho de Petrobras e bancos, com renovadas preocupações sobre o estrago econômico causado pela COVID-19.

O índice referência da Bolsa brasileira fechou aos 77.811,85 pontos, em baixa de 1,29%. Na máxima chegou aos 80.167,22 pontos, e, na mínima, aos 77.452,36 pontos.  O volume financeiro somou R$ 21 bilhões.

Petrobras PN recuou 4,03%, tendo de pano de fundo perspectivas de menor demanda para combustíveis, o que também tem pesado nos papéis de distribuidoras, como BR Distribuidora ON, que fechou em baixa de 4,93%.

No setor bancário, Itaú Unibanco PN e Bradesco  PN caíram 2,52% e 2,59%, respectivamente, também pesando no Ibovespa. Banco do Brasil ON, por sua vez, fechou com variação negativa de 2,87%.

"Mais um pregão em queda e demonstrando a força de venda presente nesta faixa entre 80 mil e 83 mil pontos, justamente o topo marcado na penúltima semana de março", afirmou o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, citando o patamar como um forte barreira gráfica.

"Na nossa bolsa, os setores mais expostos ao mercado interno performaram melhor hoje, na esperança dos investidores que estes segmentos recebam auxilio governamental ou de bancos", analisou Cristiane Fensterseifer, analista de ações da casa de análise Spiti.

Magazine Luiza ON, por exemplo, subiu 3,92%, com o setor de varejo entre os destaques positivos do dia. 

A bolsa paulista fechou com o mercado na expectativa de fala do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu para essa quinta-feira novas diretrizes para reabrir a economia norte-americana após um isolamento de um mês em reação à pandemia de coronavírus.

Política nacional 

Eventos na cena brasileira também ocuparam atenção, como a troca do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Ele estava em rota de colisão com o presidente Jair Bolsonaro por causa da estratégia de combate à COVID-19.

Ainda em Brasília, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira que não é necessário substituir o projeto de auxílio a Estados e municípios produzido pelos deputados por um de autoria do Senado, alegando que a troca cria um impasse entre as duas Casas.

Na segunda-feira (13), a Câmara aprovou projeto de compensação a Estados e municípios, um "seguro-receita", pela queda na arrecadação decorrente da crise do coronavírus, proposta que trouxe à tona o embate entre Maia, patrocinador da medida, e a equipe econômica, que a considerou uma "pauta bomba".

Lá fora

Na Europa, as ações terminaram no campo positivo, impulsionadas pelos setores de tecnologia, automotivo e financeiro. O índice FTSEurofirst 300 .FTEU3 subiu 0,62%, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 .STOXX ganhou 0,58%, avançando pela sexta vez em sete dias. Uma notícia favorável aos negócios foi a a queda no número de mortos pela COVID-19 na Espanha e na Itália.

Em Wall Street,  as ações subiram, com Amazon.com e Netflix saltando a níveis recordes, à medida que orientações de que norte-americanos fiquem em casa atraíam demanda por serviços de streaming e entrega de mercadorias em domicílio. O Dow Jones .DJI subiu 0,14%, o S&P 500 .SPX ganhou 0,58%, e o Nasdaq Composite .IXIC teve alta de 1,66%.

*Com informações da Reuters