'Agora é hora do estado liderar o investimento', diz presidente da Abdib

Voltando aos velhos tempos, com investimento público na veia, o governo federal anunciou o programa Pró-Brasil. Ele já ganha apoiadores na iniciativa privada

Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
23 de abril de 2020 às 14:00 | Atualizado 23 de abril de 2020 às 16:15
 

Investimento em Infraestrutura é demanda antiga no Brasil, porém mal atendida até hoje. Em meio à pandemia do novo coronavírus, o governo federal está formulando um novo plano de reconstrução do país, o Pró-Brasil, com a mesma fórmula tentada em outros momentos pós-crise: o investimento público em infraestrutura. O debate divide opiniões dentro do próprio governo, entre os integrantes da equipe de Paulo Guedes, que alertam para a situação fiscal do país.
 
Este é o tema de defesa recorrente da Associação Brasileira de Indústria de Base, que representa as empresas do setor e acompanha a evolução (ou subdesenvolvimento) da infraestrutura no Brasil. Em entrevista exclusiva ao CNN Business, o presidente da Abdib, Venilton Tadini, fala da proposta do governo e do papel da iniciativa privada na retomada da economia.
 
Tadini cobra de Paulo Guedes e do governo federal a mesma ousadia que outros países no mundo estão tendo para lidar com a pior crise do século. “Agora é hora do estado liderar o investimento. As empresas do setor privado estão lutando para sobreviver, não pode sobrar para elas a responsabilidade de fazer o investimento”, diz o presidente da Associação.
 
A equipe econômica se preocupa não só com a cobrança por mais gastos, mas também com a segurança das regras fiscais, especialmente o teto de gastos. Apontado pelo próprio ministro Paulo Guedes como a âncora fiscal do país, o teto vem sendo sistematicamente atacado como o impedimento ao crescimento da economia. Os investidores que financiam o estado brasileiro não concordam e já puniram o país em outras situações quando o gasto público trouxe de volta o risco de insolvência.
 
Venilton Tadini não acredita no colapso fiscal, ao contrário. Para ele, a redução da taxa de juros – hoje em 3,75%, mas podendo ficar na casa dos 2% segundo previsão de economistas – vai possibilitar um endividamento maior do setor público sem gerar pressão inflacionária ou risco de solvência.
 
Veja à seguir a entrevista ao CNN Business: