Dólar sobe 2,5%, a R$ 5,668, e renova recorde após saída de Moro

Na semana, a alta acumulada da moeda foi de 8,3% e, no ano, é de 41,25%

Do CNN Brasil Business, em São Paulo
24 de abril de 2020 às 09:11 | Atualizado 24 de abril de 2020 às 17:22
Moeda americana opera acima de R$ 5,50 pela primeira vez na história
Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (24) em alta de 2,54%, cotado a R$ 5,668 na venda, renovando mais uma vez o seu recorde histórico nominal (que não leva em consideração a correção da inflação). A disparada da moeda fez por mais um dia o real liderar as perdas em relação ao dólar nos mercados globais e foi impulsionada pela saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, anunciada em pronunciamento feito pelo ex-ministro nesta manhã. 

Durante a tarde, o dólar chegou a bater os R$ 5,73, passando a perder força no final da tarde. Na semana, a alta acumulada foi de 8,3% e, no ano, é de 41,25%. Na véspera, o dólar fechou acima de R$ 5,50 pela primeira vez na história (a R$ 5,52), pressionado pelos primeiros rumoras da saída de Moro e por expectativas de mais um corte na taxa Selic, atualmente a 3,75% ao ano. 

Os sucessivos recordes do dólar são apenas nominais. Em termos reais, feita a correção dos valores pela inflação do período, o recorde foi de R$ 7,64, registrado em setembro de 2002.

Sergio Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça nesta sexta-feira com um discurso duro contra a decisão do presidente Jair Bolsonaro de trocar o comando da Polícia Federal, que o agora ex-ministro disse representar interferência política e quebra da promessa de que teria carta-branca.

"A percepção do mercado seria de que o governo está perdendo o rumo político e o Executivo está se isolando, em meio aos problemas ligados à pandemia global, inclusive com o esvaziamento da pasta de Paulo Guedes", disse a Infinity Asset Management em nota.

"Aqui, o cenário político deverá continuar nebuloso", disse em nota Ricardo Gomes da Silva, da Correparti Corretora. "A deterioração das contas públicas em decorrência da pandemia da Covid-19, associada à interminável crise, especialmente entre o Executivo e Legislativo, põe o Brasil nas cordas. O risco-país afugenta os investidores e, hoje, nem mesmo o carry-trade serve de atrativo para evitar a imensa fuga de capitais", completou.

O BC precisou atuar mais no mercado em meio à disparada do dólar. A autoridade monetária anunciou duas operações extraordinárias para venda de contratos de swap cambial e também realizou um leilão de venda de dólar no mercado à vista.

Em dinheiro "novo", o BC injetou no mercado, entre os dois instrumentos, um total de US$ 1,545 bilhão.