Só 13% das indústrias gráficas estão com produção normal, diz associação


Paula Forster, da CNN em São Paulo
27 de abril de 2020 às 18:56 | Atualizado 27 de abril de 2020 às 22:56
Trabalhadoras em indústria gráfica

Indústrias gráficas registraram queda na demanda a partir de março, segundo a Abigraf

Foto: Paula Forster/CNN

Em meio ao impacto econômico da pandemia do novo coronavírus, apenas 13% das indústrias gráficas continuam com a produção em ritmo normal, segundo pesquisa realizada pela Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) divulgada com exclusividade para a CNN

Mais de 92% das indústrias do setor, que emprega cerca de 180 mil trabalhadores, registraram queda na demanda a partir do mês de março, e 64% delas estão com operação parcial. 

De acordo com a Abigraf, as gráficas do setor editorial apresentaram queda de até 50% na demanda do mês de março, em comparação com fevereiro deste ano. Já as gráficas voltadas à comunicação visual apresentaram redução de 70%, e as de material promocional registraram queda de 60%.     

Fogem da regra as indústrias gráficas de embalagens, que viram a demanda aumentar em cerca de 10%. Isso porque os pedidos realizados pelas empresas de produtos de higiene pessoal, de limpeza e de alimentos aumentaram neste período de quarentena. 

O presidente da Abigraf, Sidney Anversa Victor, diz que clientes voltados aos setores de produtos essenciais demandaram mais em março. Em abril, já está acontecendo um movimento de estabilização. Por outro lado, as empresas que comercializam produtos como chocolates ou cosméticos, por exemplo, reduziram o número de pedidos. 

"Para esses produtos, são fabricadas embalagens de confecção mais sofisticada. A gente fala que são de alto valor agregado. Como teve baixa procura, as máquinas voltadas para esse tipo de trabalho [douração e brilho] estão paradas”, diz Victor, que é dono de uma gráfica de embalagens de médio porte em São Paulo.

Demissões

Segundo Victor, mesmo com a alta de até 15% registrada no mês de março, sua empresa já começou a se adaptar para evitar efeitos significativos da pandemia nos negócios. Para isso, a indústria aboliu o turno de produção da noite, colocou 50 funcionários em férias e demitiu 11 pessoas.

É esse o cenário enfrentado por mais de 56% das empresas do setor, que ou colocaram os trabalhadores em banco de horas ou anteciparam as férias coletivas ou os próprios feriados. Além disso, quase 65% das empresas demitiram funcionários. 

Ainda de acordo com o levantamento realizado pela Abigraf, quase 75% das indústrias gráficas optaram por prorrogar o pagamento de impostos e tributos, e mais de 64% pediram renegociação de prazos e contratos com fornecedores neste período de crise.