Finanças versus saúde mental: lições de Monja Coen para tempos de isolamento

A fundadora da Comunidade Zen Budista no Brasil deu diretrizes para lidar internamente com o isolamento, a pandemia e a falta de dinheiro

Matheus Prado do CNN Brasil Business, em São Paulo
30 de abril de 2020 às 10:55 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 12:16

Impossível não se preocupar com finanças num momento tão conturbado como esse. Um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de proteção ao crédito (SPC) mostra que, em janeiro, o número de inadimplentes no Brasil ultrapassava os 61 milhões de consumidores. Esse número, claro, provavelmente aumentou – e muito.

Com a pandemia, veio o aumento do desemprego, redução de salários e a impossibilidade, no caso dos autônomos, de sair para trabalhar. Todos esses fatores têm tirado o sono (ou elevado o estresse) de milhões de brasileiros. 

Então, com as contas acumulando, o brasileiro precisa pensar em formas criativas e principalmente remotas de gerar renda, mas sem perder o controle da sua saúde mental. Uma outra pesquisa da CNDL/SPC também mostra que 8 em cada 10 inadimplentes sofrem impacto emocional negativo por conta das dívidas.

Pensando nisso, o CNN Brasil Business conversou com a Monja Coen, fundadora da Comunidade Zen Budista no Brasil, em busca de diretrizes para lidar internamente com o isolamento, a pandemia e a falta de dinheiro.

1 - O problema é de todos

A situação pode estar difícil, mas acredite: está muito complicado para todos. É óbvio que alguns estão em situação mais grave, mas todos, de certa forma, estão sendo impactados. Pensando dessa maneira, segundo a monja, o peso do problema fica mais leve. 

“Primeiro, precisamos lembrar: não é só 'para mim', não é um castigo 'para mim', não é uma coisa que está 'acontecendo somente comigo'. Se você olhar à sua volta, tem uma multidão no mundo inteiro na mesma situação”, contemporiza Coen. 

A gravidade do momento é real, mas ela acredita que, com humildade, é sempre possível encontrar algo para fazer e gerar alguma renda.

2 - Cada um deve ajudar como pode

Caso você não esteja sofrendo tanto, o seu vizinho pode estar. Ou uma pessoa na rua. De repente, até um familiar. Então, se você pode dar algum tipo de auxílio, por que não pensar em dar a mão ao próximo? A monja cita o exemplo da rede de solidariedade que está se formando entre empresas de todos os portes e o Estado. Afinal, a conta precisa ser paga por todos – assim não fica pesado para ninguém. 

“É um momento de ajudar, de partilhar. Aqueles que têm meios de ajudar, devem ajudar. Para ficar bem. Você só fica bem com você mesmo, se achar que estar partilhando. Não é dar tudo, fechar a empresa, mas vai dar aquilo que pode”, diz.

3 - Sociedade pós-pandemia

É possível pensar em uma sociedade mais evoluída após o fim da pandemia? Para Coen, é um cenario bem difícil de acontecer. Afinal, costumamos esquecer as lições após passarmos os períodos de dificuldade.

“Eu gostaria, essa é a minha utopia, que a humanidade tenha o despertar da consciência. Precisamos criar uma sociedade mais justa, mais participativa, mais cooperativa. Mas que nós humanos esquecemos, de fato, esquecemos”, resume.. 

4 - Tomando controle da situação

Melhorar a respiração pode ser uma saída para acalmarmos em situações difíceis. É claro que não será isso que resolverá o problema, mas poderá te trazer mais consciência para você tomar as melhores decisões em um momento tão complicado.

E há um jeito bom para respirar? Segundo Coen, sim.

“Respire conscientemente. São respirações completas, como chamamos no yoga. Inspira, pausa um pouquinho e solta. Sempre que estamos nervosos, a respiração fica pulmonar (mais curta)", diz ela. "Aí você vai trazer a respiração para baixo. Coloca a sua mão no abdome e fala: ‘será que ele está inchando quando eu inspiro?’ Aí você vai sentindo o ar vai preenchendo os pulmões e a a caixa torácica se expandindo."