Veja as ações mais indicadas para investir em maio, segundo corretoras


Paula Bezerra do CNN Brasil Business, em São Paulo
04 de maio de 2020 às 14:19
Pessoa segura celular e acompanha investimentos

Investimento: gestoras listam as ações com mais potencial para o mês de maio

Foto: Austin Distel/Unsplash

Petrobras, Vale, Magazine Luiza e Rumo são quatro das principais ações mais recomendadas pelas gestoras para se investir no mês de maio. É o que aponta o levantamento realizado a pedido do CNN Brasil Business, a cinco gestoras do país – Santander, Rico, Toro Investimentos, Guide e Genial investimentos.

Para elaborar a carteira, o CNN Brasil Business recebeu recomendações de ações e avaliação dos principais setores que os investidores devem ficar de olho neste mês. Cada uma delas sugeriu 10 ações, com peso respectivo de 10%, e analisou cinco setores da economia. 

As ações que receberam duas recomendações, ou mais,  entraram na lista. A mesma metodologia se deu para os setores. A partir de junho, o CNN Brasil Business também acompanhará o quanto os papéis recomendados se valorizaram – ou caíram –, as ações que vão se manter no ranking e as que vão dar espaço para outros papéis promissores. 

O Ranking

Após um mês de março conturbado no mercado financeiro brasileiro, marcado por consecutivos circuit breakers e uma queda expressiva nas negociações, o mês de abril veio como um alento. De acordo com a B3, o Ibovespa valorizou 10,35% no mês passado, tendo o melhor abril desde 2009 – e o sexto melhor desde o plano Real. 

Dados da Economática mostram que abril também foi marcado pelo crescimento de valor de mercado das empresas de capital aberto. Segundo a instituição, juntas, as companhias brasileiras de capital aberto tiveram aumento de mercado avaliado em R$ 257,3 bilhões. Ainda assim, a queda acumulada no ano marcado pela pandemia do novo coronavírus é de R$ 1,29 trilhão. 

Diante deste cenário, as gestoras consultadas pelo CNN Brasil Business elencaram os principais papéis para investir em maio. Citando solidez, valorização do dólar e maior flexibilidade pelo menor patamar da taxa básica de juros, a Selic, as ações avaliadas tiveram um desempenho melhor no mês anterior – e podem repetir a atuação em maio. 

“No caso da Petrobras, embora suas ações tenham tido queda expressiva nos primeiros meses, a empresa apresenta solidez. Não consideramos que a desvalorização dos papéis reflete o seu real fundamento, pois se deve mais à atual aversão geral ao risco e à queda forte na demanda mundial por petróleo”, diz Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

Não à toa, a Petrobras é a empresa com maior crescimento de valor de mercado no mês de abril com R$ 56,3 bilhões. Na sequência, aparece a varejista Magazine Luiza, com R$ 17,3 bilhões, que também figura o ranking de maio.

Outros papéis citados pelos especialistas são os da mineradora Vale e da empresa de logística Rumo. Para ambas as companhias, o cenário é positivo. Isso porque, no caso da Vale, mesmo com a revisão para baixo da produção de minério de ferro, o dólar mais alto trará vantagens para a empresa. 

“O dólar mais apreciado ante o real, assim como a resiliência dos preços da commodity, mesmo diante de todos os impactos econômicos do coronavírus, podem proporcionar aumento no faturamento das empresas do segmento”, diz o especialista.    

No caso da Rumo, o cenário de juros baixos traz mais flexibilidade para empresas do setor renovarem suas malhas. O combustível mais barato também possibilidade de novas concessões com o programa de infraestrutura traçado pelo governo também tende a beneficiar a companhia. 

Entre os setores que os investidores devem ficar de olho, os especialistas citaram:

Confira, a seguir, comentário de especialistas sobre os papéis escolhidos: 

Petrobras (PETR4)

"A Petrobras apresenta solidez, embora suas ações tenham tido queda expressiva nos primeiros meses de 2020, não consideramos que isso reflete o seu real fundamento, pois se deve mais à atual aversão geral ao risco e à queda forte na demanda mundial por petróleo", diz Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

TOTVS (TOTS3)

“A eficácia no controle dos custos, assim como a disciplina quanto ao capital empregado, geraram bons resultados para a Totvs. Ainda, o aumento de capital realizado pela companhia e a aquisição de empresas essenciais para o crescimento do seu negócio”, avalia Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.   

Rumo S/A (RAIL3)

"O cenário de juros baixo propicia maior flexibilidade das empresas do setor a renovarem sua malha. Além do maior volume de transporte do agronegócio, a empresa pode se beneficiar de um combustível mais barato com a crise dos preços do petróleo e ganhar com novas concessões", diz Panonko. 


B3 (B3SA3)

"A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com um volume mais forte neste 2020, especialmente de ações e no mercado futuro, diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável. Apesar do cenário de ofertas ter piorado em decorrência dos impactos do coronavírus nos mercados, esperamos ver IPOs e follow ons voltando em velocidade reduzida no segundo semestre de 2020", avalia Henrique Esteter, analista da Guide. 

Vale (VALE3)

“Apesar da revisão, para baixo, da produção de minério de ferro por parte da Vale, percebemos que o dólar mais apreciado ante o real, assim como a resiliência dos preços da commodity, mesmo diante de todos os impactos econômicos do coronavírus, podem proporcionar aumento no faturamento das empresas do segmento”, afirma Panonko.  

JBS (JBSS3)

"Modelo de negócios resiliente, devido à diversificação de produtos (carne suína, bovina, de frango e alimentos processados) e exposto a vários países. Os 53% da receita nos Estados Unidos beneficiariam a receita consolidada em reais, à medida que o dólar se valoriza em relação ao real. Com a depreciação do real, as exportações brasileiras se tornam mais atraentes. A exposição total da receita ao dólar é de cerca de 85% (operação norte-americana e exportações saídas do Brasil). Além disso, de acordo com as nossas estimativas, em 2020, a relação Dívida Líquida/EBITDA deve ser a mais baixa entre as empresas brasileiras de proteína", aponta Renato Chanes, estrategista do Santander, por meio de relatório.


Localiza (RENT3)

"Apesar da alta recente, RENT3 é negociada abaixo dos 5,3x da média histórica em relação ao seu valor patrimonial (P/VPA), enquanto o índice de liquidez, comparando a dívida líquida com o valor contábil dos veículos, permanece estável em 0,5x nos últimos anos (o que, em outras palavras, implica na capacidade de pagar 100% da dívida líquida com apenas 50% do valor da frota)", diz Chanes, estrategista do Santander, por meio de relatório.


Magazine Luiza (MGLU3)

“O segmento de bens duráveis, apesar da grande importância do varejo físico, vem conseguindo demonstrar fortes avanços no e-commerce que, aliado a data comemorativa deste mês, poderá ter um incremento nas vendas, o que impactará no faturamento futuro”, diz Panonko, da Toro Investimentos . 

WEG (WEGE3)

"A empresa tem mostrado boa performance dentro do setor industrial nos últimos anos. A receita segue se beneficiando pela depreciação do real, recuperação da demanda industrial e pelo crescimento do mercado – principalmente pela adoção de práticas da Indústria 4.0. Além disso, a companhia quase não reduziu seu ritmo de investimentos durante a crise da COVID-19, gerando nesse momento uma vantagem competitiva em relação aos players locais", diz Esteter, analista da Guide.

Suzano (SUZB3)

“Com a desestocagem da celulose acontecendo, bem como a recuperação, ainda que parcial, dos preços da commodity, e do dólar mais valorizado ante o real, avaliamos que o setor deverá apresentar performance acima da média de mercado. Soma-se, ainda, com a mudança nos hábitos de higiene das pessoas, por efeitos do coronavírus, que poderá impactar em maiores vendas de papéis para este fim”, analisa Panonko.

Bradesco (BBDC4)

"Temos uma visão positiva para os grandes bancos, devido às suas características defensivas nesta atual crise de coronavírus (ações líquidas, fonte diversificada de receita, não sensíveis ao câmbio, capital principal abundante e índices de liquidez, etc.). Além disso, acreditamos que o Bradesco tenha espaço para melhorar a eficiência por meio de despesas administrativas e tarifas bancárias melhores do que seus pares", afirma Chanes, estrategista do Santander, por meio de relatório.