Pandemia gera maior tombo da história na construção civil em abril


Fernando Nakagawa
Por Fernando Nakagawa, CNN  
05 de maio de 2020 às 10:29 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 17:55
Construção Civil

Obra em Brasília (27.JUL.2016)

Foto: Dênio Simões/Ag. Brasília/Fotos Públicas

O setor da construção civil levou um tombo nunca visto no mês de abril. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que a atividade e o número de empregados tiveram a maior queda mensal da história com os efeitos econômicos da pandemia do novo coronavírus. Em outras palavras, os números revelam que a construção civil nunca teve uma queda com essa intensidade e disseminação. 

Segundo a pesquisa, o nível de atividade efetivo do setor caiu de 40,5 em março para 25,5 em abril. Esse índice varia de 0 a 100, sendo que números abaixo de 50 indicam contração da atividade. “Os indicadores de evolução do número de empregados e do nível de atividade registraram a involução mais rápida e disseminada da série, ao mesmo tempo que o setor apresentou o aumento mais brusco de ociosidade”, destaca o relatório divulgado há pouco pela CNI em conjunto com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). 

Nesse mesmo sistema que varia de 0 a 100, o índice de emprego marcou 39, bem abaixo do patamar de 50 – o que indica queda do número de trabalhadores. Essa redução do número de vagas de trabalho foi menos intensa que a contração da atividade porque muitas construtoras e outras empresas do setor fizeram ajustes temporários, como férias coletivas, redução de jornada de trabalho e/ou suspensão do contrato de trabalho.

Com menos atividade, a utilização da capacidade ociosa caiu oito pontos em um mês, para 52%. Esse é o menor uso da capacidade da série histórica iniciada em janeiro de 2012.  

Diante de indicadores tão ruins e com a preocupação com os efeitos da pandemia, as expectativas dos empresários para os próximos seis meses tiveram as maiores quedas registradas nas séries históricas. “Os empresários estão pessimistas com o futuro imediato”, cita o documento da CNI que destaca a deterioração de diversos indicadores futuros, como emprego, insumos e matérias-primas.