'Teremos uma forte queda do PIB', admite secretário do Tesouro

Mansueto participa de debate sobre o equilíbrio das contas pós-pandemia com Fernando Nakagawa, diretor do CNN Brasil Business, e CEO da Arko Advice

Anna Russi, da CNN, em Brasília
05 de maio de 2020 às 11:58 | Atualizado 05 de maio de 2020 às 13:06

 

O secretário especial do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, admitiu, nesta terça-feira (5), que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020 trará uma forte queda no desempenho da atividade econômica do Brasil. "O mundo está caminhando para uma recessão. O Brasil não será diferente: Teremos forte que da do PIB. -3%, -4%, -5%, ninguém sabe, mas será uma queda forte", disse. Ele participa de debate virtual sobre o equilíbrio das contas pós-pandemia com Fernando Nakagawa, diretor do CNN Brasil Business, e Murillo de Aragão, CEO da Arko Advice.

Embora a equipe econômica já tenha apresentado simulações de cenários usando como base uma recessão econômica de até 5,34%, a projeção oficial do Ministério da Economia ainda é de estagnação da economia brasileira, ou seja, "crescimento 0%". 

Na avaliação do secretário, a preocupação com o nível que a dívida pública pode alcançar neste ano vai depender da percepção de sua trajetória, uma vez que essa sinalização é, para ele, mais importante do que o próprio patamar de endividamento do país. Ele exemplificou com o cenário de uma Dívida Bruta que feche em 90% do PIB, podendo esse percentual ser interpretado como positivo ou como negativo, a depender da indicação do país sobre a agenda de reformas e o corte de gastos. 

"90% pode ser número razoável ou muito ruim, vai depender do que o país sinalizar como trajetória. Sem agenda de reformas, com aumento salarial para servidor e expansão de gastos, é um patamar perigoso. Mas, se tiver agenda de reformas, bom diálogo político, agendas como reforma tributária, marco do saneamento e privatizações, 90% não vai ser grave”, explicou. 

Ele destacou ainda que é preciso levar em conta nessa avaliação os cenários de inflação e juros do país. "Com a taxa de juros (Selic) abaixo dos 4%,a gente sai com uma dívida muito menor do que há 5 anos, por que o custo é menor", observou. 

Auxílio emergencial 

Mansueto descartou a possibilidade de o auxílio emergencial de R$ 600, que será pago por três meses como apoio à população para o enfrentamento da pandemia, virar um benefício permanente na política de assistência social do Brasil. Para ele, colocar quase metade da população em um programa de transferência de renda seria "insustentável"."A solução para a informalidade não é um programa de transferência permanente", afirmou. 

O secretário observou que a situação, no entanto, trouxe a tona um debate que estava, até então, esquecido: como trazer os trabalhadores informais para o mercado formal. "Se temos 40% da força de trabalho na informalidade, a pergunta é o que falta para trazer isso pro mercado formal", disse. 

Ainda na visão dele, a permanência do benefício poderia incentivar a informalidade. "Se o programa fosse permanente, teríamos que aumentar a carga tributária, o que elevaria ainda mais a informalidade", comentou. 

Ajuste fiscal 

Embora tenha reforçado que o foco do governo este ano não seja no ajuste fiscal, ele ponderou que após a crise será preciso voltar ao caminho de reequilíbrio econômico e das reformas para atrair investimentos privados.

Apesar de a equipe econômica defender uma retomada da atividade por meio do aumento de investimento privado, o secretário do Tesouro admitiu que investimentos públicos também são positivos. No entanto, ele ressaltou que tal gasto tem que ocorrer de maneira sincronizada com a redução das despesas obrigatórias. "É bom ter aumento de investimento público? é ótimo. Mas para isso precisamos ter o controle das despesas obrigatórias", explicou. 

“Quebrar o teto de gastos não é solução, porque significaria  dizer que ajuste que já é gradual será ainda mais gradual e vai ser necessário elevar carga tributária”, completou.