Desemprego vai crescer no mundo, mas subirá ainda mais no Brasil


Thais Herédia
Por Thais Herédia, CNN  
07 de maio de 2020 às 18:25 | Atualizado 07 de maio de 2020 às 20:26
Desempregados aguardam em fila para solicitar benefício no Arkansas, EUA

Desempregados aguardam em fila para solicitar benefício no Arkansas, EUA

Foto: Nick Oxford - 04.abr.2020/ Reuters

O desemprego é, sem dúvida, a face mais dramática da crise econômica provocada pela pandemia. O coronavírus não discrimina vítimas, mesmo que, entre idosos, a incidência seja maior. A paralisação econômica global tem gerado o mesmo efeito sobre o mercado de trabalho. Setores mais ricos ou menos produtivos, atividades mais ou menos qualificadas, grandes empresas, sólidas até então, micro e pequenos negócios. Todos, sem exceção estão promovendo o desemprego indiscriminadamente. 

O economista Marcel Balassiano, da Fundação Getulio Vargas, partindo das previsões do Fundo Monetário Internacional para 100 países, calculou um possível desfecho para as taxas de desemprego no mundo e suas divisões, como os emergentes, os países avançados, a Zona do Euro, o G7 e América Latina. No Brasil, a quantidade de desempregados pode passar dos atuais 12,6 milhões para 15,6 milhões. O estudo sinaliza ainda que o indicador global pode subir 2.66 pontos percentuais em 2020. 

Em 2019, segundo as previsões do FMI, a taxa de desemprego mundial fechou em 6,9% e, este ano, deve fechar em 9,5%. A desigualdade já conhecida se agravará por toda parte, mas ela já se revela ainda mais violenta nas partes mais vulneráveis do globo. Segundo estudo de Balassiano, as economias avançadas, que contam 39 países, e a zona do euro serão as mais afetadas com alta de 3 pp do indicador, chegando a 8,4% e 9,7%, respectivamente.

Para o G7, Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, e Reino Unido, o desemprego deve subir 2,2 p.p., passando para 7,5%. Nos EUA, país com o maior número de infectados e de mortes até o momento, o aumento poderá ser de 6,7 p.p., saindo de 3,7% para 10,4%, o maior em décadas no país. É importante ressaltar que a média da taxa de desemprego destes países estava em patamar bem menor do que a dos emergentes.

Para estas economias, que inclui o Brasil, a alta da taxa média de desemprego deve ser de 2,2 p.p., passando de 7,9% em 2019 para 10,1% em 2020. O Brasil, no entanto, vai ter um salto ainda maior em sua taxa de desemprego: 2,8 pontos percentuais – a média global será de 2,6 p.p..

Para os países da América Latina, em média, o aumento da taxa de desemprego deve ser de 2,1 p.p., passando de 7,3% para 9,3%. No caso brasileiro, que já tinha uma das maiores taxas de desemprego da região e a 35a maior do mundo em 2019, segundo cálculo do economista da FGV, baseado nas previsões do FMI, a taxa de desemprego pode chegar a 14,7% em 2020. 

O patamar mais alto que seus pares se deve à recuperação muito lenta e gradual da atividade econômica depois do biênio de recessão em 2015-16. A complexidade do mercado de trabalho brasileiro impõe ainda o desafio de acompanhar o que vai acontecer com os milhões de trabalhadores que já estavam na categoria de sub-utilizados (cerca de 7 mi) e de desalentados (cerca de 4,8 mi). A precariedade se agrava com os mais de 40 milhões de brasileiros informais, sem qualquer proteção das leis trabalhistas. 

O estudo do economista Marcel Balassiano foi feito com base nas previsões do Fundo Monetário Internacional. No caso brasileiro, a crise pode ter dimensões mais dramáticas, a depender do controle do contágio do coronavírus. O quadro que se avizinha para o desemprego será, certamente, um dos piores que o país já registrou na era republicana. 

Então, as incertezas atualmente são muito altas ainda, e as notícias e projeções de agora não são nada boas para a economia mundial e brasileira nesse ano, infelizmente. Tomara que essa crise passe logo, com o menor impacto possível, tanto em questões de saúde quanto na parte econômica, e que todos possamos voltar à “maior normalidade” possível em breve