Com dificuldades de obter empréstimos, PMEs demitem e fecham na pandemia


Da CNN, em São Paulo
09 de maio de 2020 às 14:09
 

Os pequenos e médios empresários estão com dificuldades em conseguirem o empréstimo emergencial ofertado pelo governo para tentar minimizar o desemprego gerado pela pandemia do novo coronavírus. Em março, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou uma linha de crédito de R$ 40 bilhões para as empresas, mas apenas 1% do total foi efetivamente liberado pelos bancos.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), Percival Maricato, contou em entrevista à CNN neste sábado (9) que a burocracia tem sido o principal obstáculo para os empresários terem acesso ao dinheiro e isso já resultou em mais de 1 milhão de demissões.

"São grandes as dificuldades encontradas pelas pequenas empresas e, sem o crédito, o resultado é demissões. Teve banco exigindo até comprovação de voto nas últimas eleições. (...) Nessa altura, acreditamos que mais de 100 mil estabelecimentos foram fechados e mais de 1 milhão de pessoas foram demitidas [em todo o Brasil]", relatou.

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Maricato explicou que quando o crédito foi anunciado pelo governo federal muitas empresas já estavam com impostos em atraso, pois a quarentena e obrigação de fechar as portas já haviam sido decretadas. "Empréstimos da Caixa ainda têm três meses de carência e é difícil prever se alguém irá se reeguer em três meses porque mesmo quando reabrir haverá recessão. Achamos que as restrições que os bancos colocam para as situações normais não deveriam existir agora."

A Abrasel-SP também apontou que os bancos estão seguindo o caminho contrário ao idealizado pelo governo ao liberar a linha de crédito: ao invés de facilitarem o empréstimo emergencial, estão sendo mais rigorosos por medo de inadimplência. 

"Os empresários não estão conseguindo pagar o aluguel, energia e funcionários porque está difícil receber esse financiamento. O fato é que soma-se essas dificuldades a um crescente passivo, sem perspectivas de faturamento, e infelizmente passamos a fazer parte do ponto mais crítico da crise social e econômica."